OMS e Lula pressionam G7 por acordo pandêmico: “O mundo deve concluir o que começou”
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uniram vozes em um apelo contundente ao G7, pedindo a **”coragem” necessária para finalizar o tratado internacional sobre a gestão de futuras pandemias**. A declaração conjunta ressalta a urgência em superar divergências entre países ricos e em desenvolvimento, que ainda travam o avanço do acordo.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, e o presidente brasileiro, que participará da cúpula do G7 na França, exigiram **”vontade política no mais alto nível”** para selar um pacto essencial. A meta é evitar a repetição do caos internacional vivenciado durante a pandemia de Covid-19, que causou perdas humanas e econômicas devastadoras.
“O mundo deve concluir o que começou”, afirmaram Tedros e Lula, lembrando que a humanidade prometeu, em meio à dor, **nunca mais enfrentar um evento semelhante sem a devida preparação**. Conforme dados da OMS, a Covid-19 pode ter sido responsável por até 20 milhões de mortes, com perdas econômicas estimadas pelo FMI em mais de 13 trilhões de dólares.
A pedra no sapato: Acesso a patógenos e repartição de benefícios
O ponto central das negociações, e o mais complexo, reside na definição do mecanismo de **acesso a patógenos e repartição de benefícios**. Essa parte do tratado visa regulamentar o compartilhamento de agentes infecciosos com potencial pandêmico e a distribuição equitativa dos lucres gerados, como vacinas, testes e tratamentos.
A dificuldade reside em estabelecer como esses benefícios serão definidos e distribuídos, como o sistema será administrado e, crucialmente, como a **equidade será garantida**. A falta de clareza nesses pontos tem sido o principal obstáculo para a conclusão do acordo, que não poderá entrar em vigor sem sua definição.
Apelo direto aos líderes: Instruções para a sessão de julho
Tedros e Lula fizeram um apelo direto aos líderes do G7, pedindo que **”deem instruções aos seus negociadores para que compareçam à sessão de julho preparados para concluir um acordo”**. Eles reconheceram a necessidade do apoio dos chefes de Estado para alcançar um avanço decisivo nas conversas, que devem prosseguir entre 6 e 17 de julho.
Cientistas alertam para o risco crescente de novas pandemias, com estimativas apontando para **quase uma chance em quatro de outro surto global na próxima década**. Nesse cenário, a colaboração internacional e a preparação se tornam estratégias indispensáveis, e não apenas atos de caridade.
Preparação é estratégia, não caridade
“Não se trata de caridade, mas de estratégia”, enfatizaram o diretor-geral da OMS e o presidente brasileiro. Eles ressaltaram que os países que compartilham patógenos perigosos devem ter a **confiança de que os tratamentos chegarão também às suas populações**. A interconexão global significa que um vírus que se espalha em qualquer lugar eventualmente afetará o mundo inteiro.
O investimento em detecção precoce de surtos, apesar da magnitude das perdas causadas pela Covid-19, tem sido **insignificante**. A conclusão do tratado pandêmico é vista como um passo fundamental para reverter essa tendência e construir um futuro mais seguro e resiliente a crises sanitárias globais.