Britânico conclui volta ao mundo a pé após quase três décadas
Britânico conclui volta ao mundo a pé após quase três décadas

Britânico conclui volta ao mundo a pé após quase três décadas

A ideia audaciosa surgiu de uma sugestão de seu pai em um cartão de aniversário: atravessar o Estreito de Bering a pé durante o inverno. Essa travessia, ligando o Alasca à Rússia, abriria caminho por quatro continentes. Bushby, então obcecado por testes de resistência, viu ali a “jornada definitiva”. Ele traçou uma linha em um […]

Resumo

A ideia audaciosa surgiu de uma sugestão de seu pai em um cartão de aniversário: atravessar o Estreito de Bering a pé durante o inverno. Essa travessia, ligando o Alasca à Rússia, abriria caminho por quatro continentes. Bushby, então obcecado por testes de resistência, viu ali a “jornada definitiva”. Ele traçou uma linha em um mapa, conectando sua casa na Inglaterra à ponta sul da América do Sul, e partiu. A caminhada começou na Patagônia chilena, com apenas US$ 500 e um carrinho adaptado que ele apelidou de “A Fera”, carregando seus pertences.

Ao longo de quase três décadas, Bushby impôs a si mesmo duas regras rígidas: não usar nenhum meio de transporte para avançar e não pisar em solo britânico até o fim da jornada. Essa determinação o levou por terrenos inóspitos, da selva do Darién à tundra siberiana. Ele enfrentou prisões, deportações, dificuldades financeiras, perigos de se perder e o ceticismo de muitos, mas manteve o foco em seu objetivo. A aventura, que começou como um sonho de garoto, transformou-se em uma rotina desgastante, descrita por ele como “absurdamente, insanamente tediosa” em certos momentos.

No início de 2024, Bushby realizou um marco significativo ao atravessar a nado o Canal da Mancha, um passo simbólico que o aproximou de seu lar. A jornada não foi isenta de perigos, como a travessia do Estreito de Bering em março de 2006, onde ele e o aventureiro Dimitri Kieffer caminharam sobre gelo instável por duas semanas, enfrentando o risco de o gelo se partir sob seus pés. Ao chegarem à Rússia, foram detidos por guardas de fronteira que duvidavam de sua façanha e mantidos sob custódia por quase dois meses.

A decisão de permanecer fora do Reino Unido por tanto tempo também gerou desafios pessoais, especialmente em relação ao seu filho, Adam, que tinha apenas 8 anos quando a caminhada começou. Bushby relata ter ponderado sobre como a jornada poderia inspirar o filho. Adam, hoje com 36 anos, confessa que na infância não compreendia a ausência do pai, mas a situação mudou quando o reencontrou no Alasca em 2004, aceitando a escolha paterna e passando a apoiá-lo.

Agora, a poucas centenas de quilômetros do fim, Bushby confessa sentir uma “sensação de perda” e um sentimento “perturbador” com a iminência do fim de seu propósito de vida. Ele planeja se tornar educador de ciências e compartilhar a lição mais valiosa de sua jornada: a gentileza inesperada de desconhecidos. Centenas de pessoas ofereceram abrigo, comida e apoio, demonstrando a “bondade em todas as culturas, em todos os países”. Bushby tem usado sua experiência para inspirar jovens, transmitindo a mensagem de que o mundo é um lugar melhor do que muitos imaginam.

Tags:

Veja Também

Hugo Motta articula apoio para manter comando da Câmara em 2027

Hugo Motta articula apoio para manter comando da Câmara em 2027

Petrobras reajusta preço do querosene de aviação em 7,2%

Petrobras reajusta preço do querosene de aviação em 7,2%

Deputada do PT promete devolver dinheiro público gasto com bebidas alcoólicas nos EUA

Deputada do PT promete devolver dinheiro público gasto com bebidas alcoólicas nos EUA

Defesa de Flávio Bolsonaro pede afastamento de Alexandre de Moraes de investigação

Defesa de Flávio Bolsonaro pede afastamento de Alexandre de Moraes de investigação

The Economist alerta: mercado tem motivos para receio com a eleição de Lula

The Economist alerta: mercado tem motivos para receio com a eleição de Lula