DNA moderno desvenda assassinato de 1974 ligado a Ted Bundy

DNA moderno desvenda assassinato de 1974 ligado a Ted Bundy

Nova tecnologia de DNA liga Ted Bundy a assassinato de adolescente em 1974 Avanços significativos na ciência forense, especialmente o desenvolvimento de softwares capazes de reconstruir amostras de DNA degradado, permitiram que as autoridades de Utah, nos Estados Unidos, finalmente desvendassem um crime arquivado há mais de cinco décadas. Ted Bundy foi oficialmente ligado ao […]

Resumo

Nova tecnologia de DNA liga Ted Bundy a assassinato de adolescente em 1974

Avanços significativos na ciência forense, especialmente o desenvolvimento de softwares capazes de reconstruir amostras de DNA degradado, permitiram que as autoridades de Utah, nos Estados Unidos, finalmente desvendassem um crime arquivado há mais de cinco décadas. Ted Bundy foi oficialmente ligado ao assassinato de Melissa Ann Smith, ocorrido em 1974. Este é o segundo caso de homicídio ocorrido no estado, datado de décadas atrás, a ser atribuído ao serial killer neste ano, após a confirmação em abril de seu envolvimento na morte de Laura Ann Aime. Ambas as vítimas tinham apenas 17 anos na época de suas mortes.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Departamento de Serviços Forenses de Utah.

Conexão entre os casos e a tecnologia STRmix

O corpo de Melissa Smith foi encontrado semanas antes do de Laura Aime. Curiosamente, a solução para o caso de Smith veio meses após a de Aime, com o DNA encontrado em uma das cenas do crime servindo como peça chave para esclarecer o outro assassinato. Embora Bundy tenha confessado o assassinato de Aime antes de sua execução em 1989, foi somente com o uso de uma tecnologia sofisticada que sua ligação definitiva com o crime pôde ser estabelecida este ano. Essa mesma tecnologia não só encerrou o caso Aime, como também forneceu aos investigadores as evidências necessárias para reexaminar o caso Smith.

“Foi o caso de Aime que se mostrou decisivo para solucionar o caso de Melissa Smith”, afirmou Heather Mills, gerente de ciências forenses do Escritório de Serviços Forenses de Utah. A conexão entre os casos e Bundy foi estabelecida através da genotipagem de STR (Short Tandem Repeat), uma técnica amplamente disponível, e do software STRmix. O STR analisa blocos repetitivos de DNA em locais específicos do genoma. A variação no comprimento desses blocos entre indivíduos permite a identificação. Quando duas amostras de DNA apresentam comprimentos idênticos em múltiplos locais, a probabilidade de serem da mesma pessoa aumenta consideravelmente.

O papel do STRmix na análise de DNA degradado

Em 2011, o Departamento de Polícia da Flórida adicionou o DNA de Bundy ao CODIS, um banco de dados forense nacional, após a descoberta de um frasco com seu sangue em um tribunal. Mais de uma década depois, investigadores de Utah utilizaram o STRmix para analisar uma amostra de DNA degradada da cena do crime de Aime. O STRmix, desenvolvido na Nova Zelândia e Austrália, é capaz de distinguir perfis genéticos de múltiplas fontes presentes em uma única amostra, uma ferramenta crucial em casos onde o DNA de várias pessoas pode estar misturado. O software utiliza modelagem para separar os perfis genéticos e fornecer uma análise estatística sobre a probabilidade de correspondência.

“Se duas pessoas estivessem usando a mesma camiseta, você poderia achar isso incomum, mas ainda poderia ser uma coincidência. No entanto, se duas pessoas estivessem usando a mesma camiseta, calça, meias, sapatos, relógio, colar e óculos, então a coincidência começaria a se tornar uma explicação menos provável”, explicou a geneticista biomédica Shoumita Dasgupta, da Universidade de Boston, para ilustrar a eficácia do software. Após a identificação de um provável perfil de DNA de Bundy pelo STRmix, a consulta ao banco de dados CODIS confirmou a correspondência, deixando poucas dúvidas sobre a autoria do crime.

Desafios e a confirmação no caso Smith

O caso de Melissa Smith apresentou um desafio diferente devido à natureza das evidências coletadas: DNA Y-STR. Este tipo de teste foca no cromossomo Y, indicando que o material genético pertencia a um homem, mas dificultando a identificação específica. “O teste de Y-STR pode ser muito valioso para identificar especificamente o DNA masculino. Ele é muito útil quando se têm amostras com baixa concentração ou degradadas, nas quais pode haver uma grande quantidade de DNA humano, mas só uma quantidade muito pequena de DNA masculino”, explicou Mills.

O obstáculo era que o perfil Y-STR de Ted Bundy não estava armazenado no banco de dados federal. “Não sabemos qual é o perfil Y-STR dele, então podemos ter evidências, contudo não temos nada com que compará-las”, disse Mills sobre o impasse. No entanto, com a confirmação anterior de que Bundy era o responsável pelo assassinato de Aime, os investigadores já tinham a certeza de que o homem presente na amostra de Smith era o mesmo serial killer. O teste de Y-STR, em conjunto com outras evidências não genéticas, confirmou que Melissa Smith, assim como Laura Aime, foi mais uma vítima de Ted Bundy. Mills destacou a gratificação em ver novas tecnologias revitalizarem evidências antigas e trazerem justiça a casos há muito tempo sem solução.

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