Defesa de Daniel Vorcaro alega manipulação de provas em celular apreendido
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo pericial que levanta sérias dúvidas sobre a integridade dos dados extraídos de seu iPhone 17 Pro. Segundo a perícia contratada pela defesa, um número expressivo de arquivos teria sido criado e modificado no aparelho após sua apreensão pela Polícia Federal, o que, em tese, poderia favorecer o ministro Alexandre de Moraes e anular as provas coletadas na Operação Compliance Zero.
O caso ganhou destaque após o ministro André Mendonça, então relator, ter retirado o sigilo de um relatório da PF que indicava 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. A estratégia do ex-banqueiro para enviar essas mensagens envolvia o uso do aplicativo “Notas”, capturas de tela e o envio pelo WhatsApp com a função de visualização única, além de configurações de apagar mensagens em 24 horas. Essa abordagem, contudo, deixou rastros no próprio dispositivo.
As informações foram reunidas a partir de documentos apresentados pela defesa de Daniel Vorcaro ao STF.
Laudo aponta anomalias em arquivos do celular
O perito da defesa sustenta que, embora o celular tenha sido apreendido em novembro de 2025, 436 novos arquivos teriam sido criados no dispositivo a partir do dia seguinte à apreensão. Desses, 94 seriam imagens em formato proprietário da Apple. Adicionalmente, o sistema teria continuado a gerar e alterar 999 arquivos internos, e outros 657 teriam sofrido modificações em seus conteúdos ou metadados no dia posterior à apreensão.
Apesar de não cravar que as alterações foram deliberadas, o perito ressalta que a ausência de registros técnicos que comprovem a origem e a finalidade dessas modificações impede classificá-las como automáticas ou inofensivas. O laudo afirma que os registros identificados não permitem determinar quem operou o dispositivo nem a natureza exata das alterações.
Princípio do “fruto da árvore envenenada” pode ser aplicado
Caso as alegações da defesa de Vorcaro sejam comprovadas, as provas obtidas a partir do celular apreendido poderiam ser consideradas inválidas com base no princípio jurídico do “fruto da árvore envenenada”. Essa teoria determina que evidências obtidas por meios ilícitos, assim como aquelas que delas derivam, devem ser anuladas. A defesa argumenta que quaisquer alterações nos dados do aparelho, especialmente se decorrentes de procedimentos de aquisição ou manuseio pela PF, precisam ser tecnicamente justificadas e documentadas.
Os advogados de Vorcaro contestam a validade das provas da Operação Compliance Zero e solicitaram ao presidente do STF, Edson Fachin, o acesso aos dados brutos extraídos do celular. Eles argumentam que relatórios sintetizados pela PF podem ser suscetíveis a edições sem alertas de integridade, comprometendo o contraditório e a paridade de armas. A defesa também reitera o pedido pela revogação da prisão preventiva do ex-banqueiro.
A Polícia Federal foi contatada para comentar o caso, mas ainda não se manifestou.
