Petista argumenta que a sociedade está cansada de polarização e que o Judiciário é o foro adequado para investigar o senador.
O senador eleito e ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), defendeu nesta quinta-feira (29) que o governo federal e o Congresso Nacional evitem transformar a recente viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos em um tema central de suas agendas. Segundo Costa, eventuais irregularidades envolvendo o senador devem ser tratadas pela Justiça, enquanto os representantes eleitos deveriam concentrar seus esforços nas demandas e problemas enfrentados pela população brasileira.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Rui Costa expressou a visão de que a sociedade demonstra cansaço com a polarização política excessiva, especialmente quando as disputas não se traduzem em melhorias concretas para a vida das pessoas. “Eu acho que o povo está cansado dessa polarização, o povo está cansado dessa disputa que não significa disputa para melhorar a vida dele, a vida das famílias, a vida das pessoas. […] Ele tem que responder à Justiça e o problema dele é com a Justiça”, afirmou.
Investigação da Polícia Federal em andamento
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil ocorreu na noite de terça-feira (27), dois dias após a derrota de seu pai, Jair Bolsonaro, na eleição presidencial. A viagem, realizada com a esposa e filhas, surpreendeu seu próprio partido e aliados. A Polícia Federal (PF) informou em nota divulgada em 28 de outubro que está investigando as circunstâncias da saída do senador, incluindo a possibilidade de descumprimento de determinações judiciais. A PF destacou que não havia registro oficial da passagem do parlamentar pelos controles migratórios brasileiros, apenas pela imigração argentina em Puerto Iguazu.
A PF esclareceu ainda que a existência de restrições de viagem, por si só, não caracteriza uma pessoa como foragida, e que a investigação visa apurar os fatos sem antecipar conclusões sobre responsabilidade criminal. Rui Costa reforçou a importância de que as investigações sejam conduzidas pelas instituições competentes, sem que o caso desvie o foco das prioridades políticas. “Eu não acho que isso tem que vir para o âmbito da política nem do governo. Acho que o governo tem que se concentrar, e nós políticos, o Congresso, tem que se concentrar em cuidar das pessoas”, concluiu.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Rádio Bandeirantes e pela Polícia Federal.
