Raízen planeja captação bilionária em meio a recuperação extrajudicial
A Raízen, gigante do setor de energia, anunciou nesta segunda-feira (26) um plano ambicioso para reestruturar seu endividamento, que atualmente soma R$ 61,4 bilhões. A companhia pretende emitir 159,2 bilhões de novas ações, com o objetivo de levantar até R$ 39,8 bilhões. Esta operação, contudo, ainda depende de aprovações em assembleias de acionistas e do Conselho de Administração, com datas previstas para o final de outubro e início de novembro, respectivamente. Caso aprovada, a expectativa é que os novos papéis sejam creditados aos investidores em 18 de dezembro.
A operação prevê a emissão de três tipos de ativos: ações ordinárias (ON), negociadas em bolsa e com direito a voto, a R$ 0,25 cada; Units, compostas por uma ação ordinária e uma preferencial classe A (PNA), com preço inicial de R$ 0,50; e ações preferenciais classe B (PNB), que não serão negociadas no mercado, a R$ 0,25 por unidade. Os atuais acionistas terão direito de preferência na subscrição dos novos papéis, podendo escolher entre as modalidades oferecidas.
A mudança também impactará o pregão da B3, com o código RAIZ4, referente às ações preferenciais, sendo alterado para RAIZ55, para representar as ações preferenciais classe A. As informações foram divulgadas pela própria companhia ao mercado.
Entendendo a pressão financeira da Raízen
A Raízen atribui a necessidade desta reestruturação ao alto custo do endividamento, especialmente em um cenário de juros elevados. A taxa Selic, que estava em 4,5% ao ano em dezembro de 2019, ultrapassou os dois dígitos a partir de março de 2021, adicionando pressão significativa às despesas financeiras da empresa. O objetivo da companhia é reduzir essas despesas e alinhar o pagamento da dívida à sua capacidade de geração de caixa.
A companhia já possuía um endividamento considerável antes do ciclo de alta da taxa de juros. No terceiro trimestre de 2019, a dívida bruta da Raízen era de R$ 18,35 bilhões e a líquida de R$ 13,16 bilhões. Desde então, o passivo cresceu expressivamente, culminando nos R$ 61,4 bilhões que motivaram o atual plano de recuperação extrajudicial.
