Esquerda europeia se espelha na vitória de Lula para contrapor ascensão da direita
Em meio a um cenário político europeu marcado pela ascensão da direita e acusações de envolvimento em protestos violentos, a esquerda na França busca na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil uma estratégia para se fortalecer. Lideranças como Jean-Luc Mélenchon e Raphaël Glucksmann, ambos disputando espaço nas pesquisas eleitorais francesas, usaram as redes sociais para exaltar a vitória do petista e projetá-la como um modelo de mobilização democrática contra a extrema-direita.
Jean-Luc Mélenchon, do partido A França Insubmissa (LFI), parabenizou Lula por derrotar a extrema-direita e interferências estrangeiras, descrevendo a campanha como uma “magnífica campanha de massas” que reuniu “o povo das favelas e os trabalhadores contra a ditadura do dinheiro-rei”. Já Raphaël Glucksmann, da coalizão que inclui o Partido Socialista, ressaltou que a vitória de Lula demonstra que “na política, nada é fatalidade” e que uma “imensa mobilização cidadã em prol da democracia provou que eles estavam errados”, em referência às previsões de derrota do petista.
Glucksmann também ampliou sua visão para outros pleitos, expressando o desejo de que as derrotas de Benjamin Netanyahu em Israel e Donald Trump nas eleições americanas sigam o mesmo caminho, reforçando a ideia de que “uma reação democrática é possível” diante da “internacional de extrema-direita”. Essas declarações ocorrem em um momento delicado para a esquerda francesa, que tem sido alvo de críticas do governo de Emmanuel Macron e de Marine Le Pen, líder nas pesquisas presidenciais, por suposta responsabilidade em protestos violentos recentes. Enquanto Glucksmann tem se distanciado da violência, Mélenchon tem culpado o governo Macron pelos tumultos.
Estratégia de “fator Lula” se estende por outros países europeus e América do Sul
A estratégia de capitalizar a “vitória de Lula” não se restringe à França. Na Espanha, o presidente do governo, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), declarou que o resultado no Brasil marca o início da “virada do progressismo global” e que “o que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha”. Sánchez antecipou as eleições gerais espanholas para 29 de novembro, em um cenário onde seu partido aparece atrás do conservador Partido Popular nas pesquisas.
Na Argentina, o peronista Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires e potencial adversário do presidente Javier Milei em 2027, também buscou inspiração no Brasil. Ele afirmou que a vitória de Lula “deixa uma lição: nunca se deve desistir” e que “há outro caminho” além das políticas liberais. A utilização da imagem e da vitória de Lula como um símbolo de esperança e resistência contra a direita tem se consolidado como uma tática importante para partidos de esquerda em diferentes partes do mundo, buscando reverter cenários eleitorais desafiadores.
As informações foram reunidas a partir de notícias divulgadas por veículos de imprensa internacionais.
