Chimpanzés demonstram autocontrole e priorizam amizades em experimento
Chimpanzés demonstram autocontrole e priorizam amizades em experimento

Chimpanzés demonstram autocontrole e priorizam amizades em experimento

Amizade acima do apetite: chimpanzés evitam roubar de companheiros Em um santuário de chimpanzés em Uganda, o laço de amizade entre Pasa e Yoyo é evidente. Elas compartilham momentos de descanso, cuidado mútuo e até planos de fuga. Agora, uma pesquisa publicada na revista Evolution and Human Behavior sugere que essa proximidade também se traduz […]

Resumo

Amizade acima do apetite: chimpanzés evitam roubar de companheiros

Em um santuário de chimpanzés em Uganda, o laço de amizade entre Pasa e Yoyo é evidente. Elas compartilham momentos de descanso, cuidado mútuo e até planos de fuga. Agora, uma pesquisa publicada na revista Evolution and Human Behavior sugere que essa proximidade também se traduz em um comportamento menos egoísta: elas são menos propensas a roubar comida uma da outra.

Um experimento inovador, que utilizou fatias de abacaxi para testar a lealdade das amizades, revelou que os chimpanzês podem, de fato, priorizar seus relacionamentos em detrimento de um ganho alimentar imediato. Esta descoberta é pioneira ao documentar uma capacidade de autocontrole e contenção de impulsos egoístas em primatas, oferecendo novas perspectivas sobre as origens das normas sociais humanas relacionadas à amizade e à moralidade.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela revista Evolution and Human Behavior.

Expectativas sociais moldam o comportamento dos primatas

O estudo, liderado pelo psicólogo social Oded Ritov da Universidade da Califórnia em Berkeley, observou que os chimpanzés, assim como os humanos, desenvolvem expectativas sociais sobre o comportamento dos outros. “Acreditamos que essas expectativas possam ser um elemento fundamental que, mais tarde, evoluiu para o senso de justiça e outros tipos de moralidade que observamos nos seres humanos”, explicou Ritov.

A noção de “amizade” entre primatas não humanos tem sido historicamente debatida, com alguns pesquisadores considerando-a uma forma de antropomorfismo. No entanto, nas últimas décadas, evidências crescentes têm demonstrado que primatas sociais formam laços fortes, caracterizados por confiança e apoio mútuos. Essas amizades, especialmente entre machos na natureza, auxiliam na defesa contra rivais e na formação de alianças. Em cativeiro, os laços sociais se expandem, com amizades florescendo de forma mais generalizada entre os indivíduos do grupo.

O teste do abacaxi: amigos versus conhecidos

Para investigar a influência da amizade no comportamento de roubo, os pesquisadores analisaram 800 horas de gravações de vídeo do Santuário de Chimpanzés da Ilha de Ngamba. Eles identificaram quais chimpanzés eram amigos próximos e, em seguida, realizaram um experimento em salas contíguas. Em uma sala, havia bandejas com fatias de abacaxi; na outra, um chimpanzé tinha a opção de puxar uma corda para roubar as frutas.

Os resultados indicaram que os amigos roubavam uns dos outros em 61% das vezes, enquanto esse índice subia para 70% quando se tratava de conhecidos. Em um caso notável, a chimpanzé Yoyo, ao ter a oportunidade de roubar de sua amiga Pasa, recusou-se a participar do experimento, virando as costas e saindo da sala.

Traição e perdão: a complexidade das relações de chimpanzés

Quando o roubo ocorria entre amigos, a reação do chimpanzé traído era intensa, manifestando-se através de batidas no chão, guinchos altos e sinais de ansiedade, indicando a quebra de uma expectativa de confiança. Contudo, um aspecto surpreendente foi a rapidez com que esses mesmos chimpanzés perdoavam seus amigos em testes subsequentes, aceitando o comportamento de forma mais branda do que fariam com indivíduos com quem não possuíam laços.

“O fato de eles conseguirem moderar esse comportamento de acordo com suas relações sociais é extremamente importante e acreditamos que isso seja fundamental para manter essas relações sociais ao longo do tempo”, destacou Laura Lewis, coautora do estudo. A pesquisa sugere que, assim como os humanos, os chimpanzés valorizam não apenas as ações positivas, mas também a ausência de comportamentos prejudiciais por parte de seus companheiros, reforçando a ideia de que a base para a moralidade e as normas sociais pode ter raízes profundas na evolução dos primatas.

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