Nova pílula combinada promete revolucionar tratamento da hipertensão e aumentar adesão

Nova pílula combinada promete revolucionar tratamento da hipertensão e aumentar adesão

A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, afeta quase 30% dos adultos brasileiros e representa um grave risco para a saúde, sendo fator de diversas doenças cardiovasculares potencialmente fatais, como AVC e infarto. Contudo, um dos maiores obstáculos no combate à doença é a baixa adesão ao tratamento medicamentoso, mesmo com a disponibilidade de […]

Resumo

A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, afeta quase 30% dos adultos brasileiros e representa um grave risco para a saúde, sendo fator de diversas doenças cardiovasculares potencialmente fatais, como AVC e infarto. Contudo, um dos maiores obstáculos no combate à doença é a baixa adesão ao tratamento medicamentoso, mesmo com a disponibilidade de remédios gratuitos pelo SUS e diagnóstico facilitado.

A dificuldade em manter a regularidade no uso dos medicamentos, esquecimentos e a complexidade de regimes com múltiplas drogas levam a um controle ineficaz da pressão em uma parcela significativa dos pacientes. Estudos indicam que apenas 20% a 40% dos hipertensos conseguem manter a pressão arterial sob controle, muitas vezes necessitando de pelo menos duas classes de medicamentos diferentes para atingir esse objetivo. Essa realidade motivou a pesquisa do ensaio clínico OPTION TREAT, desenvolvido por pesquisadores do Einstein em colaboração com a Libbs Farmacêutica, a Universidade São Francisco (USF) e o Centro Universitário CESMAC.

O estudo avaliou a eficácia de um comprimido único que combina três princípios ativos: candesartana, clortalidona e anlodipino. A novidade reside na inclusão da clortalidona, um diurético tiazídico de alta potência, em uma formulação combinada, algo inédito no Brasil. A pesquisa, publicada em agosto de 2025 no periódico JACC: Advances, buscou simplificar o tratamento com o objetivo de aumentar a adesão e, consequentemente, o controle da pressão arterial.

Eficácia comprovada e impacto na adesão

Os resultados do ensaio clínico OPTION TREAT demonstraram que a nova pílula combinada foi eficaz na redução da pressão arterial sistólica. Em 12 semanas, os pacientes que utilizaram o comprimido único apresentaram uma redução média de 22,6 mmHg, superando o grupo controle, que recebeu uma combinação diferente de medicamentos e obteve uma queda de 18,2 mmHg. A cardiologista Patrícia Oliveira Guimarães, que participou da condução do estudo, destacou que a queda da pressão foi significativa logo no início do tratamento e se manteve estável ao longo do acompanhamento.

Além disso, a nova formulação mostrou maior sucesso em atingir as metas de pressão arterial estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com 69,3% dos pacientes alcançando valores abaixo de 140/90 mmHg, contra 59,8% no grupo controle. Essa melhora na adesão, proporcionada pela simplificação do regime terapêutico, é vista como crucial para a prevenção de complicações graves da hipertensão.

Análises por subgrupos revelam potenciais amplos

Um desdobramento mais recente do projeto analisou o impacto do tratamento em diferentes perfis de pacientes, considerando sexo biológico, raça e nível de risco cardiovascular. Os achados, apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, confirmaram a superioridade da pílula combinada em todas as subanálises, embora com variações na intensidade da resposta.

Mulheres apresentaram uma redução média de pressão sistólica ligeiramente superior (23,9 mmHg) em comparação aos homens (18,7 mmHg), um dado relevante considerando a maior vulnerabilidade feminina a problemas cardiovasculares após a menopausa. Quanto à raça, pacientes brancos, negros e pardos responderam de forma semelhante ao novo tratamento, indicando seu potencial de aplicação em populações diversas e miscigenadas como a brasileira, com uma redução adicional média de 5,48 mmHg na pressão sistólica em comparação à terapia convencional.

No que diz respeito ao risco cardiovascular, pacientes de risco baixo ou intermediário apresentaram uma redução adicional média de 4,13 mmHg em comparação aos de alto risco. Mesmo nos casos mais graves de hipertensão, a estratégia com a pílula combinada demonstrou ser vantajosa em relação à terapia convencional. Patrícia Guimarães ressalta que, independentemente das particularidades de cada paciente, a terapia tripla anti-hipertensiva combinada mostrou uma boa resposta, reforçando a importância de focar na evolução individual de cada pessoa durante o tratamento.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Agência Einstein.

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