Tartarugas podem ter parentesco evolutivo com crocodilos e aves, aponta estudo
Tartarugas podem ter parentesco evolutivo com crocodilos e aves, aponta estudo

Tartarugas podem ter parentesco evolutivo com crocodilos e aves, aponta estudo

Um novo estudo publicado na revista Current Biology sugere que as tartarugas compartilham um ancestral comum com crocodilos e aves, um grupo de répteis conhecido como arcossauromorfos. A pesquisa, liderada por Xavier A. Jenkins do Museu Americano de História Natural, baseia-se em evidências anatômicas detalhadas, que corroboram descobertas anteriores baseadas em DNA. Por muito tempo, […]

Resumo

Um novo estudo publicado na revista Current Biology sugere que as tartarugas compartilham um ancestral comum com crocodilos e aves, um grupo de répteis conhecido como arcossauromorfos. A pesquisa, liderada por Xavier A. Jenkins do Museu Americano de História Natural, baseia-se em evidências anatômicas detalhadas, que corroboram descobertas anteriores baseadas em DNA.

Por muito tempo, a linhagem evolutiva das tartarugas tem sido um enigma para os cientistas. Sua anatomia única, com o desenvolvimento de um casco protetor e a capacidade de adaptação a ambientes terrestres e aquáticos, dificultava sua classificação na árvore da vida. Uma das teorias mais proeminentes apontava para o Eunotosaurus africanus, um réptil extinto há 260 milhões de anos com costelas largas que teriam evoluído para formar o casco, como ancestral direto.

No entanto, estudos genéticos mais recentes começaram a questionar essa hipótese, sugerindo uma ligação mais próxima das tartarugas com crocodilos e aves. A nova pesquisa de Jenkins e sua equipe traz novas evidências morfológicas para fortalecer essa ideia. Ao examinar 226 espécimes fósseis de tartarugas antigas, arcossauros e Eunotosaurus, utilizando tecnologia de raios X para analisar estruturas ósseas internas, os pesquisadores identificaram características cruciais.

Evidências Anatômicas Revelam Conexões

Uma das descobertas chave foi a presença do osso laterosfenoide nas cápsulas cranianas protetoras do cérebro de tartarugas primitivas, crocodilos e aves ancestrais. Este osso, que conecta a lateral do cérebro ao topo do crânio, estava ausente no Eunotosaurus e em outros répteis primitivos. Similarmente, um quinto metatarso em forma de gancho, localizado no pé, e um estribo flutuante no ouvido – que permite uma audição mais complexa – foram encontrados em tartarugas, aves ancestrais e crocodilos, mas não nos répteis mais antigos estudados.

Essas semelhanças anatômicas, segundo Jonah Choiniere, professor de paleobiologia comparada da Universidade de Witwatersrand e coautor do estudo, indicam que as tartarugas mais antigas “têm muito mais semelhanças com aves e crocodilos do que pensávamos anteriormente”. O crânio, a capacidade auditiva e a estrutura das patas apontam para os arcossauros como um ancestral comum significativo.

Debate Científico Continua

Apesar das robustas evidências apresentadas, o debate sobre a origem das tartarugas ainda não está encerrado entre os paleontólogos. O paleontólogo Tyler Lyson, do Museu de Natureza e Ciência de Denver, que em 2016 defendeu a tese de que o Eunotosaurus era uma tartaruga, expressou discordância com as conclusões do novo estudo, embora reconheça seu avanço. Spencer G. Lucas, curador do Museu de História Natural e Ciência do Novo México, também se mostra cético quanto à classificação do Pappochelys – uma tartaruga primitiva com ossos abdominais fundidos – como tartaruga, e não se entusiasma com a ideia de agrupar tartarugas com arcossauros.

Lucas, contudo, elogia a pesquisa e atribui a dificuldade de categorização das tartarugas à sua natureza intrinsecamente peculiar. “As tartarugas são simplesmente muito bizarras”, comentou. O estudo destaca que, durante o período Permiano-Triássico, um momento de rápida diversificação de répteis após uma grande extinção em massa, as tartarugas passaram por transformações radicais em um período de 40 milhões de anos, incluindo a fusão de costelas para formar o casco e reorganizações significativas em sua anatomia.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela revista Current Biology e reportagens do The New York Times.

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