Disputa se inicia após deputada divulgar levantamento sobre legisladores e repercute divergências ideológicas.
A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), protagonizaram um embate público nesta segunda-feira (6), após a parlamentar divulgar um vídeo comentando um levantamento sobre a produtividade de cinco deputados federais mais votados no Brasil. A lista incluía, além de Boulos, nomes como Eduardo Bolsonaro (PL), Carla Zambelli (PL), Ricardo Salles (Novo-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG).
No vídeo, Tabata Amaral detalhou a produtividade de cada um dos mencionados, apresentando dados como o número de projetos que viraram lei. Ao comentar sobre Guilherme Boulos, a deputada afirmou que ele teve “em um mandato, cinco projetos que viraram lei”. A declaração, que posicionou o ministro entre outros nomes citados, gerou uma rápida resposta por parte de Boulos.
Cerca de uma hora após a publicação de Tabata Amaral, Guilherme Boulos utilizou a rede social X para rebater as críticas. O ministro considerou “lamentável” o posicionamento de alguém “do campo progressista” e defendeu seu trabalho legislativo. “Tenho muito orgulho dos projetos que aprovei, dentre eles a Lei das Cozinhas Solidárias, que ajudou a tirar o Brasil do Mapa da Fome”, declarou Boulos, contrastando com o que, segundo ele, seriam posições de outros parlamentares, como votar a favor da Reforma da Previdência de Bolsonaro ou “ser autor de uma lei que criminaliza as críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza”.
Divergências ideológicas e o PL da Misoginia
A troca de farpas entre Tabata Amaral e Guilherme Boulos expõe as crescentes divergências dentro do campo progressista e as críticas que a deputada do PSB-SP tem recebido da esquerda. Tabata é alvo de questionamentos por posicionamentos que divergem da linha política tradicional de esquerda, como sua atuação na relatoria do PL da Misoginia, projeto que visa criminalizar discursos de ódio contra mulheres.
As críticas se intensificaram quando a parlamentar apresentou um projeto para oficializar o conceito de antissemitismo no ordenamento jurídico brasileiro. A proposta chegou a contar com o apoio inicial de oito deputados de esquerda, incluindo seis do PT. No entanto, eles retiraram suas assinaturas após justificativas que apontavam preocupações com o impacto da proposta sobre a comunidade palestina e a possibilidade de criminalizar críticas à atuação de Israel no conflito com a Palestina. A deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) foi uma das que se manifestou, alegando que sua assessoria incluiu sua assinatura sem permissão e que ela jamais se associaria à promoção de um tema “tão grave para a comunidade palestina”.
Para setores da esquerda, a conjuntura atual pode levar à interpretação de que críticas a Israel pela condução do conflito com a Palestina poderiam ser enquadradas como antissemitismo. Internautas chegaram a associar Tabata Amaral ao sionismo, conceito ligado ao nacionalismo judaico e à defesa por um Estado judeu, incluindo áreas em disputa em Gaza.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela própria deputada Tabata Amaral e pelo ministro Guilherme Boulos, além de reportagens sobre o PL da Misoginia e o projeto sobre antissemitismo.
