Investigação sobre lesões de pele em Brodowski expõe contradição da prefeitura
A investigação sobre as lesões de pele que afetaram 235 pessoas em Brodowski, cidade a 338 km de São Paulo, revelou uma contradição por parte da prefeitura. A administração municipal alegou ter enviado amostras de pacientes para análise no Instituto Adolfo Lutz, uma informação que foi desmentida pela Secretaria Estadual de Saúde. Os primeiros relatos de moradores com coceira intensa e manchas vermelhas surgiram dias antes do anúncio oficial da prefeitura.
Em 30 de setembro, a Prefeitura de Brodowski comunicou a suspensão das aulas na rede municipal devido ao problema de origem desconhecida. Na ocasião, a nota oficial divulgada nas redes sociais mencionava que o diagnóstico dependeria dos resultados do Instituto Adolfo Lutz. O prefeito Fá bio Severi (Podemos) reforçou essa informação em entrevista no dia seguinte, expressando expectativa pelos laudos.
A reportagem acompanhou o caso e, ao cobrar reiteradamente a prefeitura sobre os resultados, recebia como resposta que os laudos ainda não haviam sido liberados. No entanto, um pedido de esclarecimento à Secretaria Estadual de Saúde, responsável pelo Instituto Adolfo Lutz, revelou que não houve necessidade ou orientação para o envio de amostras ao órgão, uma vez que os sintomas apresentados não indicavam gravidade.
Diante da negativa da Secretaria Estadual, a Prefeitura de Brodowski foi novamente procurada, mas não explicou os motivos de ter mantido a informação sobre o envio de amostras por dias. Em nota, a administração municipal justificou que a hipótese inicial de doença exantemática levou à consideração do envio de material ao Adolfo Lutz. Contudo, essa ideia foi posteriormente descartada, e as amostras foram encaminhadas a um laboratório particular.
“A Secretaria Municipal de Saúde reforça que a investigação epidemiológica é um processo dinâmico, no qual hipóteses diagnósticas e condutas são continuamente reavaliadas conforme o surgimento de novas evidências, reiterando seu compromisso com a transparência, o rigor técnico e a divulgação responsável das informações à população”, declarou a prefeitura em nota.
Possíveis sanções e hipóteses para as lesões
O advogado especialista em saúde pública, Emerson Rosa, avalia que a conduta da prefeitura pode gerar sanções. “Se ficar comprovado que o prefeito passou informações falsas de forma consciente para ocultar uma omissão, poderá responder a processo político-administrativo perante a Câmara Municipal”, afirma. Até 16 de outubro, 235 pessoas, sendo 164 crianças e 71 adultos, procuraram atendimento na rede municipal de saúde de Brodowski com os sintomas. Não há registro de agravamento dos casos.
A prefeitura já havia descartado, em 6 de outubro, a possibilidade de escabiose (sarna humana) após resultados preliminares. Atualmente, a principal hipótese investigada pelas autoridades de saúde é de reação alérgica a pernilongos. O Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Ribeirão Preto identificou focos de reprodução de mosquitos do gênero Culex na região, e as marcas na pele dos pacientes são compatíveis com alergia a picadas desses insetos.
