Investigação em Maastricht busca confirmar se restos mortais pertencem ao lendário mosqueteiro.
Autoridades de Maastricht, na Holanda, anunciaram que novas análises serão cruciais para determinar se os ossos descobertos em uma igreja na cidade pertencem, de fato, a Charles de Batz de Castelmore, mais conhecido como D’Artagnan. O militar francês, que inspirou o icônico personagem de Alexandre Dumas em “Os Três Mosqueteiros”, morreu há mais de 350 anos durante o cerco de Maastricht em 1673, e o local de seu sepultamento permaneceu um mistério desde então.
A descoberta dos restos mortais ocorreu em março deste ano, mas meses de especulações e reportagens sobre possíveis falhas na condução das investigações levaram a Prefeitura de Maastricht a declarar que a situação gera mais perguntas do que respostas. Embora as características gerais do esqueleto, como a idade estimada entre 44 e 66 anos – D’Artagnan tinha 62 quando morreu –, coincidam com o que se sabe sobre o mosqueteiro, a identificação definitiva ainda é incerta.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela agência AFP e pela Reuters.
Desafios na identificação e dieta suspeita
Um dos principais entraves para a confirmação é a impossibilidade de datar os ossos, o que impede saber quando o indivíduo morreu. Além disso, a análise preliminar da dieta do esqueleto sugere um consumo elevado de peixes, um padrão alimentar mais comum no leste ou sul da Europa do que na Gasconha, região de origem de D’Artagnan. Os pesquisadores levantam a questão se tal dieta era usual entre os mosqueteiros católicos franceses do século XVII.
Escavação não autorizada compromete investigação
A investigação científica sofreu um grave revés devido às ações de um arqueólogo aposentado que iniciou escavações no túmulo sob o piso da igreja sem a devida autorização. Segundo os responsáveis pela pesquisa profissional que assumiu o caso posteriormente, muitas informações valiosas foram perdidas. O trabalho amador pode ter danificado o crânio do esqueleto e a falta de documentação adequada segundo os padrões científicos tornou impossível a datação precisa do túmulo. O arqueólogo, Wim Dijkman, foi obrigado a interromper seu trabalho e, posteriormente, admitiu ter guardado alguns ossos em sua posse, devolvendo-os apenas após ordem policial. Ele alegou que não informou as autoridades inicialmente para garantir o crédito pela descoberta.
O legado de D’Artagnan
Charles de Batz de Castelmore, o D’Artagnan histórico, serviu lealmente às coroas dos reis Luís XIII e Luís XIV. Sua vida e feitos inspiraram Alexandre Dumas a criar o personagem que se tornaria mundialmente famoso no século XIX, imortalizado em “Os Três Mosqueteiros” e em inúmeras adaptações para o cinema. A busca pela confirmação de sua sepultura em Maastricht continua, com a esperança de que futuras pesquisas possam finalmente desvendar este pedaço da história.
