O licopeno, conhecido por sua presença marcante no tomate e em seus derivados, também pode ser encontrado em abundância em frutas cítricas de polpa avermelhada, segundo aponta uma pesquisa recente. Alimentos como grapefruit (pomelo), toranja, limão-cravo e a variedade de laranja cara-cara são agora reconhecidos como fontes importantes deste composto bioativo com reconhecidos efeitos antioxidantes.
O estudo, publicado em fevereiro no periódico científico Critical Reviews in Food Science and Nutrition, consolida evidências sobre a presença do licopeno em diversas frutas, ampliando o leque de opções para quem busca incorporar mais deste antioxidante na dieta. A nutricionista Ruth Turi Baldusco, do Einstein Hospital Israelita, destaca que o artigo contribui significativamente para a identificação de novas fontes alimentares do composto.
Além das cítricas mencionadas, outros alimentos como mamão papaia, goiaba vermelha, melancia e a fruta asiática gac já são conhecidos por fornecerem licopeno. A substância tem sido associada a potenciais efeitos cardioprotetores e à redução do risco de desenvolvimento de certos tipos de câncer. No entanto, o tomate historicamente se sobressai devido ao seu uso em molhos, onde o licopeno é mais biodisponível após o cozimento.
O aquecimento e a presença de gorduras saudáveis, como o azeite de oliva, facilitam a absorção do licopeno pelo organismo. O engenheiro de alimentos Pedro Brivaldo Viana Da Silva explica que, por ser lipofílico (afinidade com gordura), o licopeno se beneficia de ambientes oleosos. Estratégias como o consumo de fontes de licopeno junto a oleaginosas, abacate, iogurte natural ou azeite, além de triturar a polpa em liquidificador, podem otimizar sua liberação e absorção.
Benefícios das frutas cítricas vão além do licopeno
As frutas cítricas de polpa avermelhada não oferecem apenas licopeno. Elas também são ricas em outros carotenoides relevantes, como betacaroteno, fitoeno e fitoflueno, todos com atividade antioxidante que combate os radicais livres e protege as células. Adicionalmente, a vitamina C presente nesses frutos fortalece o sistema imunológico, e os compostos fenólicos, especialmente flavonoides, atuam no combate à inflamação.
A incorporação dessas frutas na dieta também pode impactar positivamente a microbiota intestinal. O estudo sugere que o consumo altera o perfil bacteriano, aumentando a presença de bactérias benéficas como Ruminococcaceae e Veillonellaceae, o que favorece processos de fermentação e gera efeitos anti-inflamatórios sistêmicos. A diversificação do consumo de frutas cítricas, portanto, não só enriquece o cardápio com novos sabores e cores, mas também garante um aporte maior de compostos bioativos essenciais para a saúde.
