Governo Lula mantém R$ 83 milhões de cartão corporativo sob sigilo e nega 22 mil pedidos de informação
Governo Lula mantém R$ 83 milhões de cartão corporativo sob sigilo e nega 22 mil pedidos de informação

Governo Lula mantém R$ 83 milhões de cartão corporativo sob sigilo e nega 22 mil pedidos de informação

Governo Lula 3 mantém alto sigilo em gastos do cartão corporativo e acumula negativas em pedidos de informação. Em um cenário de cobranças mútuas sobre transparência, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém sob sigilo cerca de R$ 83 milhões em despesas do cartão corporativo da Presidência da República. Paralelamente, o […]

Resumo

Governo Lula 3 mantém alto sigilo em gastos do cartão corporativo e acumula negativas em pedidos de informação.

Em um cenário de cobranças mútuas sobre transparência, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém sob sigilo cerca de R$ 83 milhões em despesas do cartão corporativo da Presidência da República. Paralelamente, o Executivo federal registrou 22.474 pedidos de acesso à informação classificados como negados desde o início de 2023, dados que contrastam com o discurso de abertura e transparência defendido pelo presidente.

A polêmica ganhou destaque após o presidente Lula desafiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) a abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, um convite que foi formalizado por meio de uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula autorizou a divulgação de seus dados e os de sua esposa, a primeira-dama Janja, e de seus filhos referentes aos últimos oito anos. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro aceitou o desafio, mas impôs a condição de que Lula também abra os sigilos de seu ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e da própria Janja.

Marcola está sob investigação em um inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, filho do presidente. Investigações da Polícia Federal identificaram repasses de R$ 249 mil da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, ao ex-assessor. Embora Marcola alegue que o valor se refere a um empréstimo pessoal quitado, e Roberta afirme que foi um auxílio por amizade, a relação é analisada no contexto de suspeitas de favorecimento de interesses privados junto ao governo federal.

98% das despesas da Presidência com cartão corporativo sob sigilo

Os gastos com o Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF), popularmente conhecido como cartão corporativo, revelam uma opacidade significativa. Entre 2023 e agosto de 2026, o total de despesas vinculadas à Presidência da República somou R$ 84,54 milhões, dos quais R$ 83,37 milhões (aproximadamente 98,6%) foram classificados como sigilosos. Essa classificação impede o acesso a detalhes cruciais como a data exata do gasto, o nome do portador do cartão ou o fornecedor do bem ou serviço adquirido, limitando a visualização apenas ao mês, ano, valor e unidade administrativa responsável pela transação.

Em 2023, o primeiro ano do atual mandato, os gastos sigilosos com o cartão corporativo atingiram R$ 24,06 milhões. No ano seguinte, o valor subiu para R$ 26,32 milhões, e em 2025, foram R$ 22,73 milhões. Até agosto de 2026, já foram desembolsados R$ 10,25 milhões sob sigilo. A justificativa para essa reserva de informações geralmente se baseia na proteção da segurança do presidente, de seus familiares e das equipes de segurança, visando resguardar itinerários e operações que poderiam expor rotinas e comprometer a atuação de agentes públicos.

22,4 mil pedidos de informação negados via LAI

Os dados do painel Busca LAI indicam que o Poder Executivo federal negou 22.474 solicitações de acesso à informação entre 2023 e outubro de 2026. O ano de 2023 concentrou o maior número de negativas, com 6.292 pedidos. Seguiram-se 2024 (5.613), 2025 (5.535) e, até outubro de 2026, já foram registradas 5.034 recusas. Os motivos para a negativa variam, incluindo a proteção de dados pessoais, sigilo legal, informações relacionadas à segurança e documentos preparatórios, além de alegações de que o atendimento exigiria trabalho adicional desproporcional.

Exemplos notórios de pedidos negados incluem solicitações de dados detalhados sobre custos, datas e justificativas de hospedagens em embaixadas brasileiras no exterior para artistas e pessoas sem cargos públicos, bem como para a primeira-dama e seus assessores. O Ministério das Relações Exteriores indeferiu um desses pedidos, alegando que a solicitação era genérica e carecia de delimitação temporal, geográfica ou nominal. Outro caso envolveu a negativa do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em fornecer registros de entrada e saída de visitantes nos Palácios da Alvorada e do Planalto desde janeiro de 2023, com justificativas de proteção à intimidade, vida privada e risco à segurança de autoridades.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo portal da transparência do Governo Federal e do painel Busca LAI.

Tags:

Veja Também

Morre Patrick Stewart, ícone de Star Trek e X-Men, aos 86 anos

Morre Patrick Stewart, ícone de Star Trek e X-Men, aos 86 anos

Flávio Bolsonaro busca asilo nos EUA alegando perseguição judicial

Flávio Bolsonaro busca asilo nos EUA alegando perseguição judicial

O Cérebro do Fugitivo: Uma Jornada Neuronal da Ambição à Fuga

Defesa de Bolsonaro pede autorização para visita de Rogério Marinho em meio a restrições

Defesa de Bolsonaro pede autorização para visita de Rogério Marinho em meio a restrições

Meteorito de Marte encontrado no Saara revela detalhes sobre o planeta há 4,1 bilhões de anos

Meteorito de Marte encontrado no Saara revela detalhes sobre o planeta há 4,1 bilhões de anos