EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas: entenda as consequências e os motivos por trás da decisão.
O governo dos Estados Unidos deu um passo significativo ao classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Essa medida, que entrou em vigor nesta sexta-feira (5), reflete uma preocupação crescente com o poder e a atuação dessas facções brasileiras, que ultrapassam os limites do tráfico de drogas.
A decisão americana impacta diretamente as operações financeiras e logísticas dos grupos, impondo sanções mais severas e restringindo o apoio a eles. A classificação de FTO visa isolar essas organizações e coibir suas atividades, consideradas uma ameaça à segurança pública e internacional.
A medida se baseia no histórico de ações violentas, ataques coordenados e uso de táticas que se assemelham às militares, demonstrando um nível de organização e letalidade que motivou a intervenção dos EUA. Conforme apurado pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo, a decisão reflete a percepção de que o impacto dessas organizações vai além do tráfico de drogas comum, ameaçando a segurança pública de forma sistêmica.
O que muda com a classificação de Terroristas Estrangeiros?
Ao serem rotuladas como FTO, o PCC e o Comando Vermelho enfrentam um cenário de sanções mais rígidas. Isso inclui o bloqueio de bens que possam estar em território americano e a proibição de qualquer pessoa ou empresa sob jurisdição dos EUA de fornecer apoio material aos grupos. Essa medida visa dificultar o financiamento e a expansão das atividades criminosas.
Histórico de Violência e Ataques Coordenados
O poderio dessas facções é evidenciado por episódios marcantes em sua história. Um dos exemplos mais graves foi o ‘Salve Geral’ de 2006, em São Paulo, quando o PCC coordenou ataques e rebeliões que resultaram em 564 mortes e paralisaram a maior metrópole do país. Essa demonstração de força mostrou a capacidade de organização e execução em larga escala.
Outro caso que ilustra a brutalidade das facções foi o assassinato do juiz Antônio José Machado Dias, em 2003. Ele foi morto por ser considerado um inimigo pelas lideranças criminosas detidas no fórum onde atuava, evidenciando o alcance e a determinação dos grupos em eliminar opositores.
Jornalistas e Autoridades como Alvos
A violência das facções não poupa nem mesmo jornalistas e autoridades. Em 2002, o repórter Tim Lopes, da TV Globo, foi torturado e morto pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro enquanto investigava denúncias de abuso sexual. Essa tragédia chocou o país e expôs os riscos enfrentados pela imprensa na cobertura de crimes.
Em 2006, o PCC sequestrou o repórter Guilherme Portanova em São Paulo, exigindo a exibição de um vídeo com reivindicações do grupo em rede nacional para libertá-lo após 40 horas de cativeiro. Esses eventos demonstram a hostilidade das facções contra a mídia e a busca por controle da narrativa.
Adoção de Tecnologia Militar e Execuções Sofisticadas
O Comando Vermelho tem demonstrado uma profissionalização militar preocupante ao adotar o uso de drones adaptados para lançar granadas contra policiais em operações no Rio de Janeiro. Investigações apontam que o treinamento para operar esses equipamentos teria sido ministrado por um brasileiro que lutou na guerra da Ucrânia, evidenciando a busca por novas táticas e armamentos.
A capacidade de execução das facções também se manifesta em crimes de alta repercussão. Em 2024, o empresário e delator Antônio Vinícius Gritzbach foi executado à luz do dia no Aeroporto de Guarulhos. Já em 2025, o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, autoridade no combate ao crime organizado, foi morto a tiros de fuzil na Praia Grande. Esses crimes ressaltam que as facções atacam tanto quem colabora com a Justiça quanto os agentes públicos que as investigam, demonstrando um alcance cada vez maior e mais audacioso em suas ações.