Empresários encerram ações sociais após eleição de Lula, citando incerteza econômica
Empresários encerram ações sociais após eleição de Lula, citando incerteza econômica

Empresários encerram ações sociais após eleição de Lula, citando incerteza econômica

Empresários anunciam fim de ações sociais com incertezas econômicas pós-vitória de Lula Empresários de diversas regiões do Brasil têm anunciado o encerramento ou a suspensão de ações de assistência social que promoviam ou das quais participavam, citando um cenário de incerteza econômica após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As decisões, […]

Resumo

Empresários anunciam fim de ações sociais com incertezas econômicas pós-vitória de Lula

Empresários de diversas regiões do Brasil têm anunciado o encerramento ou a suspensão de ações de assistência social que promoviam ou das quais participavam, citando um cenário de incerteza econômica após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As decisões, divulgadas em redes sociais, abrangem desde patrocínios e doações até programas de longa data, gerando reações e debates.

Um dos casos é o da gráfica Casa das Cópias, de Joinville (SC), que comunicou na segunda-feira (26) o cancelamento por tempo indeterminado de todos os apoios, patrocínios, participações em ações sociais, rifas, doações e compras institucionais. Segundo a empresa, a prioridade absoluta passa a ser a manutenção da operação e a sustentabilidade do negócio, com uma reavaliação prevista para janeiro de 2032.

O cirurgião plástico André Miolo, com atuação em Minas Gerais e São Paulo, também anunciou a suspensão do programa de cirurgias gratuitas que mantinha há duas décadas. Em seu perfil online, ele justificou a medida pela instabilidade econômica e política do país e pelo grave cenário fiscal, que, segundo ele, compromete a continuidade do programa. Miolo expressou pesar pelo encerramento, mas também satisfação pela contribuição dada à saúde e qualidade de vida de muitas pessoas.

A rede Ice Cream Mix, com unidades em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Angola, informou que não promoverá mais ações de doação de cestas básicas, brinquedos ou qualquer tipo de ajuda. A justificativa da empresa foi distinta das demais, declarando estarem “cansados de ajudar quem não quer ser ajudado e prefere viver dos auxílios do governo”. A declaração gerou críticas nas redes sociais, levando o fundador da rede a questionar, em vídeo posterior, a necessidade de cestas básicas caso os beneficiários tenham sido tirados da pobreza pelo governo.

Deputado responsabiliza esquerda por decisão de empresários

O deputado estadual reeleito pelo Rio de Janeiro, Mário Gualberto (PL), interpretou as ações dos empresários como um reflexo da escolha eleitoral. Em sua visão, a esquerda estaria conseguindo extinguir até mesmo a assistência social privada. “Vários empresários, pessoas autônomas e benfeitores estão publicando nas redes sociais que não mais ajudarão ninguém, pois já que o Brasil está bem — e tendo em vista que as pessoas votaram no Lula — não se sentem mais na obrigação de ajudar aos mais necessitados”, declarou Gualberto em uma rede social, citando o adágio popular “Quem semeia vento, colhe tempestade”.

Governo aciona MPF e PF contra boicotes e demissões

Paralelamente, têm circulado nas redes sociais relatos de pessoas que teriam sido demitidas por declararem apoio a Lula, além de incentivos para que empresas adotem a mesma prática. Tais ações são consideradas ilegais, pois a Constituição garante a liberdade de convicção política e a Lei 9.029/1995 proíbe discriminação nas relações de trabalho.

Nesta terça-feira (27), a 3ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro determinou que a deputada estadual Índia Armelau (PL) remova, em até 48 horas, uma postagem questionando se empresários deveriam manter em seus quadros funcionários que votaram em Lula. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo na Câmara, anunciou ter acionado o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) para investigar os incentivos a demissões e boicotes que circulam online, buscando identificar os autores e coibir o que classificou como “ação deliberada e organizada” com “discurso de ódio, violento, de intimidação explícita”, e que já resultou em casos de constrangimento e assédio moral, configurando crime.

As informações foram reunidas a partir de comunicados de empresas e declarações de políticos divulgados em redes sociais e reportagens.

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