O Envelhecer em Casa Ganha Novos Aliados
Shirley Jennett, 89 anos, enfermeira aposentada, ama sua casa em Denver, com seu amplo quintal. Seu desejo é permanecer ali, um anseio compartilhado por muitos idosos que buscam envelhecer em seus lares. No entanto, a preocupação com a segurança e a solidão, especialmente após quedas, leva muitos a considerar alternativas. É nesse cenário que Susan Beese, 79 anos, encontra uma solução para seu próprio desafio financeiro: o aluguel de um apartamento em Denver ultrapassava os US$ 1.500 mensais, valor insustentável mesmo trabalhando.
A solução encontrada por Beese foi se mudar para a casa de Jennett, pagando US$ 800 por mês por um espaço privativo no andar inferior. Além do aluguel acessível, Beese contribui com tarefas domésticas, como cuidar do jardim e preparar refeições, transformando a relação em uma parceria mutuamente benéfica. “Foi uma salvação”, afirma Beese, que também foi acolhida com seu cachorro. Este arranjo espelha a popular série dos anos 80, “Golden Girls”, onde quatro mulheres dividiam uma casa, embora na série a conexão tenha sido feita por um anúncio em um quadro de supermercado.
As informações foram reunidas a partir de reportagens sobre o tema nos Estados Unidos.
Organizações Facilitam o Compartilhamento de Lares
Em Denver, a organização Sunshine Home Share Colorado, fundada em 2016 por Alison Joucovsky, tem sido fundamental para conectar idosos que possuem casas maiores e subutilizadas com aqueles que buscam moradia acessível. Joucovsky relata que seu telefone tocava incessantemente com pedidos de idosos cujos orçamentos eram consumidos por aluguéis crescentes ou que enfrentavam longas listas de espera por moradias subsidiadas. A organização avalia cuidadosamente tanto os “provedores de moradia” quanto os “buscadores”, facilitando conexões seguras e eficazes.
O modelo de compartilhamento de moradia é visto como uma estratégia inteligente para criar habitações acessíveis e permitir que os idosos permaneçam em suas comunidades. Laura Fanucchi, presidente do National Shared Housing Resource Center, destaca que aproveitar o estoque habitacional existente é uma alternativa mais rápida e econômica do que construir novas moradias. Atualmente, cerca de 55 organizações nos EUA oferecem serviços similares, com a demanda em ascensão devido à escassez de moradias e ao aumento dos custos em todo o país, afetando tanto idosos quanto jovens.
A Urgência da Moradia Acessível
A necessidade de soluções habitacionais acessíveis para idosos é gritante. Em 2024, aproximadamente um terço dos domicílios chefiados por pessoas com 65 anos ou mais estavam “sobrecarregados com custos”, gastando mais de 30% de sua renda com moradia. Mesmo entre proprietários de imóveis, o aumento de impostos, custos de manutenção e seguros pressiona os orçamentos, especialmente para aqueles com renda fixa. Deputados estaduais, como Abby Major da Pensilvânia, apoiam o compartilhamento de moradia como uma forma de ajudar idosos solteiros a gerenciar casas que se tornaram grandes demais após a saída dos filhos ou o falecimento do cônjuge.
A tendência de compartilhamento de moradia não se restringe a idosos. Jovens adultos também enfrentam dificuldades financeiras significativas, com percentuais expressivos entre 25 e 44 anos comprometendo uma parte substancial de sua renda com moradia. Plataformas online, comparadas a aplicativos de namoro, estão surgindo para otimizar o processo de matchmaking, conectando proprietários com quartos disponíveis a pessoas que precisam de um lugar para morar. Iniciativas como o programa piloto da cidade de Portland, que oferece incentivos financeiros a proprietários que disponibilizam quartos extras, e projetos de lei em vários estados para remover barreiras à locação de quartos, demonstram o crescente reconhecimento e apoio a essa modalidade de habitação.
