Carlos Bolsonaro relata que ex-presidente está informado sobre desdobramentos políticos e familiares
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado (4) que o ex-presidente Jair Bolsonaro acompanha a atual crise que envolve seus filhos e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, mesmo em sua prisão domiciliar. Segundo Carlos, o pai está “ciente de tudo o que se passa aqui fora”. A declaração foi feita nas redes sociais após uma visita a Jair Bolsonaro, em um momento de intensificação das divergências no entorno da sucessão presidencial de 2026.
Carlos Bolsonaro também mencionou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou o pai anteriormente, descrevendo a conversa como “muito boa e tranquila”. Ele relatou que Jair Bolsonaro demonstrou preocupação com o filho Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos.
Em sua postagem, Carlos reiterou a classificação da prisão domiciliar como “prisão política”, argumentando que as restrições de visitação visam isolar o ex-presidente e impedir sua comunicação com o mundo exterior. Ele descreveu o encontro com o pai como emocionante, relatando que ambos relembraram “muitos momentos bacanas” e que ver o pai “preso sem ter cometido qualquer crime” foi “algo que estraçalha o coração”, mas que se manteve forte para vê-lo feliz.
Aprofundamento da crise no PL e sucessão presidencial
A manifestação de Carlos Bolsonaro ocorre em um contexto de crescente tensão no Partido Liberal (PL). Recentemente, Michelle Bolsonaro anunciou sua saída da presidência nacional do PL Mulher, após tornar público um rompimento político com Flávio Bolsonaro. A crise se acentuou com críticas a Michelle Bolsonaro por elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, iniciativa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Carlos reforçou que, apesar das restrições, o ex-presidente continua a ser informado sobre as articulações políticas da direita e as disputas internas pela candidatura à Presidência em 2026.
Manutenção da prisão domiciliar e restrições
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília desde março, após ser condenado a 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado. Na sexta-feira (3), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a prisão domiciliar do ex-presidente.
A decisão de Moraes atendeu a pedidos da defesa relacionados às condições da pena, mas manteve o regime domiciliar. O ministro determinou a apreensão da pistola registrada em nome de Bolsonaro e a revogação de outras autorizações de posse de armas, que deverão ser entregues à Polícia Federal na próxima semana. As regras impostas por Moraes permitem visitas apenas dos filhos, nas quartas-feiras e sábados, em horários predefinidos, e acesso diário de 30 minutos para os advogados. Flávio Bolsonaro, por integrar a equipe de defesa, também pode visitar o pai em sua condição de advogado.
Enquanto isso, Carlos Bolsonaro se prepara para disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina nas eleições deste ano, movimento que se insere na estratégia da família Bolsonaro de ampliar sua representação no Congresso Nacional.
