A influência digital do pastor Silas Malafaia nas eleições
O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, consolidou sua atuação política através das redes sociais, direcionando apoio a uma expressiva quantidade de candidatos a cargos legislativos e executivos. Durante o período eleitoral, Malafaia publicou vídeos e mensagens online endossando nomes para o Senado, a Câmara dos Deputados e assembleias legislativas. O resultado de sua mobilização digital se reflete na eleição de pelo menos 27 candidatos que receberam seu apoio, demonstrando o peso de sua influência junto ao eleitorado evangélico e conservador.
Em suas postagens, Malafaia frequentemente se dirigia aos eleitores evangélicos ou utilizava expressões como “povo abençoado” para se conectar com públicos específicos de determinados estados ou com o eleitorado brasileiro em geral. Um dos argumentos centrais para o apoio a candidatos ao Senado foi a defesa da formação de uma maioria de direita na Casa, com menções à possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes, do STF, presidir a Corte em 2027 e a necessidade de eleger senadores favoráveis a um eventual processo de impeachment contra o magistrado.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela imprensa.
O plano de “colinha” eleitoral em estados chave
A estratégia de Malafaia se estendeu por diferentes estados, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo. No Rio de Janeiro, na véspera da votação, o pastor divulgou um vídeo detalhando seus candidatos preferidos, inclusive a ordem de votação na urna eletrônica. Para deputado federal, recomendou Sostenes Cavalcante (PL), citando sua liderança na bancada evangélica e no PL na Câmara. Para a Assembleia Legislativa, indicou Alexandre Isquierdo Malafaia (PL), que adotou o sobrenome do pastor para fins eleitorais. No Senado, pediu votos para Carlos Portinho (PL) e Marcelo Crivella (Republicanos). Para o governo fluminense, apoiou Douglas Ruas (PL), e para a presidência, Flávio Bolsonaro (PL).
Em São Paulo, dias antes do primeiro turno, Malafaia compartilhou uma “colinha” eleitoral com seus seguidores. A lista incluía Marco Feliciano (PL) para deputado federal, Lisboa (PL) para deputado estadual, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para as duas vagas ao Senado, Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o governo do estado e Flávio Bolsonaro para a presidência. A maioria dos indicados por Malafaia em ambas as “colinhas” foi eleita, confirmando a eficácia de sua campanha digital.
O impacto da influência de Malafaia na família Bolsonaro e em outras eleições
A atuação de Silas Malafaia também se voltou para membros da família Bolsonaro. Ele declarou apoio a Michelle Bolsonaro (PL) pelo Distrito Federal e a Carlos Bolsonaro (PL) por Santa Catarina, ambos eleitos senadores. A lista de senadores eleitos com o endosso de Malafaia inclui também nomes como Márcio Bittar (PL-AC), Bia Kicis (PL-DF), Gustavo Gayer (PL-GO), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Sanderson (PL-RS), entre outros. Na Câmara dos Deputados, além de Sostenes Cavalcante e Marco Feliciano, foram eleitos Filipe Martins (PL-TO) e Fábio Souza (PL-GO) com o apoio do pastor.
A influência de Malafaia não se restringiu às eleições federais e estaduais de maior projeção. Sua mobilização digital alcançou também disputas por vagas em assembleias legislativas. Além de Lisboa em São Paulo, o pastor apoiou Sargento Neto (PL) na Paraíba, que também obteve êxito em sua candidatura. A ampla rede de contatos e a capacidade de engajamento em plataformas digitais demonstram o poder de Silas Malafaia como um articulador político relevante no cenário brasileiro contemporâneo.
