Brasil registra recorde de cientistas influentes em ranking global
O Brasil alcançou a marca de 1.510 cientistas entre os mais influentes do mundo, segundo um levantamento divulgado recentemente. O número representa um aumento de 3,4% em relação ao ano anterior, quando o país contava com 1.461 pesquisadores na lista. O estudo, elaborado pelo pesquisador John Ioannidis, da Universidade de Stanford (EUA), em parceria com a editora Elsevier, destaca o crescimento contínuo da produção científica nacional.
Apesar da evolução no número de cientistas reconhecidos, a posição do Brasil no ranking global permaneceu inalterada, na 24ª colocação. Os Estados Unidos lideram a lista com ampla vantagem, seguidos por China, Reino Unido, Alemanha e Austrália.
Entre os nomes brasileiros de maior destaque no levantamento estão o médico Carlos Augusto Monteiro (USP), o físico Constantino Tsallis (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), o engenheiro Jayme Garcia Arnal Barbedo (Embrapa), o epidemiologista Cesar Gomes Victora (UFPel) e o físico José Marengo (Cemaden). Outras personalidades como Deborah Malta (UFMG), Pedro Henrique Brancalion, Paulo Artaxo, Mayana Zatz e Ester Sabino, todos da USP, também figuram na relação.
Metodologia e Critérios do Ranking
O ranking de Ioannidis identifica os 100 mil cientistas com o maior número de citações globais ou aqueles que se encontram entre os 2% mais bem classificados em suas respectivas subáreas de conhecimento. A metodologia utiliza um índice composto, o c-score, que considera o índice H, o número total de citações e citações de artigos publicados como autor único, primeiro ou último autor.
Os dados são extraídos da plataforma Scopus, a maior base de dados mundial de resumos e citações de literatura científica revisada por pares, e abrangem publicações até o final de 2025. A avaliação é dividida em 20 áreas e 174 subáreas, garantindo que a comparação seja feita dentro de contextos acadêmicos similares. O pesquisador Ioannidis ressalta a importância de considerar as especificidades de cada campo científico para uma avaliação justa.
Desde 2024, o estudo também incorpora informações sobre artigos retratados, um indicador que pode auxiliar na avaliação da integridade científica de pesquisadores com alto número de citações. Ioannidis observa que o crescimento expressivo de alguns países, como China e Índia, pode estar associado a problemas de integridade científica, algo que o Brasil tem buscado evitar.
Instituições Brasileiras em Destaque
A Universidade de São Paulo (USP) lidera a lista de instituições brasileiras com maior número de cientistas reconhecidos, totalizando 282 pesquisadores. Em seguida, aparecem a Unicamp, Unesp, UFMG, UFRJ e UFRGS, demonstrando a força da pesquisa acadêmica em diversas regiões do país.
Olival Freire Jr., presidente do CNPq, avalia que a maior presença brasileira no ranking reflete a recuperação da produção científica nacional após a pandemia e a retomada dos investimentos em pesquisa. Ele aponta que o Brasil atingiu um pico de produtividade científica mundial pré-pandemia, sofreu uma queda em 2022 e 2023, mas vem se recuperando desde 2024, em parte devido à normalização das atividades científicas e ao aumento do financiamento para pesquisa, com a liberação de editais universais pelo CNPq.
Freire Jr. alerta, contudo, que listas baseadas em citações devem ser analisadas com cautela, pois existem outras métricas de impacto científico, como a formação de novos pesquisadores e a contribuição para políticas públicas, que não são contempladas por esses rankings. Ele enfatiza a necessidade de considerar um conjunto mais amplo de indicadores para uma avaliação completa do impacto da pesquisa científica.
Apesar do crescimento no número de cientistas influentes, o investimento brasileiro em pesquisa e inovação, que se manteve estável em torno de 1,2% do PIB entre 2015 e 2026, pode ser um fator limitante para uma aceleração ainda maior desse crescimento no cenário internacional.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Universidade de Stanford e pela editora Elsevier.
