A cortina de fumaça sobre Manaus
A capital amazonense, Manaus, encontra-se imersa em uma densa cortina de fumaça, reflexo de queimadas que atingem níveis alarmantes. Três pontos cruciais ajudam a desvendar o cenário: a floresta não se incendeia espontaneamente, mesmo em anos de El Niño; o presidente Lula (PT) venceu Jair Bolsonaro no segundo turno no estado; e o atual governo federal registra recordes na redução do desmatamento. A estiagem intensificada pelo fenômeno climático, de fato, favorece a ação de incendiários, acumulando biomassa inflamável. Contudo, a origem do fogo na mata é frequentemente atribuída a grileiros, madeireiros ilegais e pecuaristas, grupos cujas motivações políticas e econômicas parecem estar ligadas a setores bolsonaristas.
A situação é agravada pela disposição de alguns grupos em recorrer a táticas extremas para atingir seus objetivos políticos, mesmo que isso resulte na degradação da qualidade do ar a níveis perigosos para a saúde pública. Há indícios de alianças com facções criminosas para o controle de territórios, em um contexto que envolve figuras políticas ligadas a escândalos e investigações.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Greenpeace, Inpe e reportagens de veículos de imprensa.
Explosão de focos de calor e acusações políticas
Em setembro, o Amazonas registrou 3.726 focos de calor detectados por satélite, um aumento expressivo em comparação com os 942 do mesmo mês em 2025. O governo do Amazonas, liderado pelo candidato à reeleição derrotado Roberto Cidade (União), tentou atribuir a responsabilidade ao governo federal, alegando recusa de ajuda. No entanto, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) refutou a acusação, informando que o estado dispensou auxílio em 30 de setembro, após chuvas controlarem parte dos incêndios. Paradoxalmente, o mesmo governo destinou R$ 45 milhões em 2026 para o Corpo de Bombeiros amazonense, recursos provenientes do Fundo Amazônia, que havia sido desmantelado durante a gestão anterior.
Desmatamento e a responsabilidade histórica
Especialistas apontam que as queimadas geralmente se iniciam em áreas previamente desmatadas, seja para eliminar resíduos vegetais ou para a limpeza de pastagens. Quando as condições climáticas são desfavoráveis, como em períodos de seca prolongada, esses focos podem se alastrar e transformar-se em incêndios florestais. O corte raso é apontado como o principal motor da destruição, com o fogo sendo uma consequência. O histórico das administrações federais anteriores revela um contraste significativo: nos dois primeiros governos Lula, a taxa de desmatamento recuou 83%. Sob Jair Bolsonaro, houve um aumento de 60% no desmatamento. Com o retorno de Lula ao Planalto e Marina Silva à frente do MMA, a devastação voltou a cair, registrando em 2026 a menor área desmatada na Amazônia desde 1988.
A disseminação de desinformação e o futuro em risco
Apesar dos dados científicos e das evidências apresentadas por satélites, a disseminação de narrativas falsas, impulsionada por figuras políticas, tem grande alcance. A comparação com a gestão da pandemia de Covid-19, que também levou Manaus a situações críticas, é um alerta sobre a repetição de padrões. A estratégia de culpar quem atua no combate aos incêndios enquanto se é, de alguma forma, conivente com suas causas, configura um preocupante ensaio para futuros cenários de crise. A população amazonense, assim como a brasileira, parece estar em um dilema: assistir passivamente a repetição de erros ou buscar caminhos para evitar um futuro em chamas.
