Dez partidos que formam o chamado Centrão anunciaram nesta quarta-feira (14) a intenção de manter a aliança que elegeu Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados e declararam apoio à sua reeleição em fevereiro de 2027. A articulação busca consolidar uma candidatura de consenso entre as legendas, que somam 252 deputados, com o objetivo de manter o comando da Casa pelos próximos dois anos.
Em nota conjunta, os partidos ressaltaram o desejo de preservar a unidade do grupo e delegaram a Motta a condução das negociações com outras forças políticas. A decisão vai de encontro aos planos do PL, partido que obteve a maior bancada na eleição deste ano, com 121 parlamentares, e que almejava indicar o próximo presidente da Câmara. “O bloco também caminhará unido na eleição da Mesa Diretora do próximo ano. O presidente Hugo Motta terá nosso apoio para iniciar o diálogo em busca de convergência e unidade em torno de sua reeleição à Presidência da Câmara dos Deputados”, afirmaram os signatários.
As legendas que compõem o bloco são Republicanos, União Brasil, PP, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD, incluindo as federações partidárias formadas por algumas dessas siglas. Embora na eleição de 2025 Motta tenha contado com o apoio de 18 partidos, apenas dez manifestaram publicamente a intenção de se manterem unidos em torno de sua candidatura para o pleito de 2027. A articulação visa fortalecer a posição do grupo na disputa pela Mesa Diretora, cujos cargos são renovados a cada biênio. Para garantir a vitória no primeiro turno, é necessária a maioria absoluta, que corresponde a 257 dos 513 votos disponíveis.
Busca por unidade em meio à polarização
A declaração dos partidos reforça o compromisso com a continuidade do trabalho em prol de uma Câmara “plural, independente e aberta ao diálogo com todas as correntes políticas, garantindo espaço a todos os 513 deputados e avançando nas decisões importantes para o país”, conforme expresso na nota. O PSD já havia sinalizado apoio à recondução de Motta na terça-feira (13), ao defender a permanência no bloco que o elegeu. Motta, por sua vez, tem defendido a união das forças de centro como forma de mitigar a polarização política observada no primeiro turno das eleições de 2026.
A articulação ocorre em um cenário de tensões. Parlamentares do PL demonstraram insatisfação com Motta após ele declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ambos os turnos da última eleição presidencial. A formação de um bloco coeso e a declaração antecipada de apoio a Motta sinalizam uma estratégia do Centrão para manter sua influência na condução dos trabalhos legislativos.
