Novo capítulo para o caso de extradição
A Justiça italiana definiu para o dia 27 de outubro a retomada do julgamento referente ao pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A audiência, marcada para as 11h30, horário local, na Corte de Apelação de Roma, tem como foco a análise da perseguição armada a um jornalista ocorrida em São Paulo na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A sessão estava originalmente prevista para 29 de setembro, mas foi adiada devido a uma greve de advogados penalistas italianos, que afetou também a defesa de Zambelli e o representante do governo brasileiro.
Este novo julgamento surge após a Corte de Cassação, em 1º de julho, anular uma autorização de extradição anterior. A instância superior determinou que o caso fosse reexaminado por uma nova turma, cabendo à Primeira Seção Penal do tribunal italiano a condução da nova audiência. O pedido de extradição tem como base a condenação de Zambelli pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. O episódio central envolve o jornalista Luan Araújo, que teria sido perseguido pela ex-parlamentar após uma troca de provocações.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela imprensa brasileira.
Argumentos da defesa e posicionamento italiano
Eduardo Mauricio, advogado de Carla Zambelli, informou que a defesa da extradição está a cargo de advogados italianos em conjunto com seu escritório. Ele expressou confiança de que o segundo pedido de extradição também será negado, citando a ausência de garantias processuais e a violação de princípios fundamentais e direitos humanos. Mauricio também mencionou a preparação de revisões criminais e pedidos de exclusão da Interpol, alegando que as condenações no Brasil são “abusivas e ilegais”, fruto de perseguição política e parcialidade de ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, que, segundo a defesa, não teriam avaliado provas cruciais para a anulação dos casos e a absolvição de sua cliente.
Vale lembrar que, durante o julgamento em julho, o Ministério Público italiano já havia se posicionado pela rejeição da extradição, levantando questionamentos sobre a imparcialidade da Justiça brasileira. Contudo, a Corte de Cassação determinou a reanálise do pedido.
Contexto do caso e outros pedidos de extradição
Este processo de extradição está atrelado à condenação de Zambelli no caso da perseguição ao jornalista. Um pedido anterior de extradição, relacionado à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no qual Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão no Brasil, já havia sido rejeitado pela Corte de Cassação em maio. Essa decisão italiana encerrou aquele processo específico e permitiu a sua soltura na Itália, onde ela foi presa em julho de 2025 após deixar o Brasil. Zambelli, que possui cidadania italiana, permanece foragida no Brasil.
A audiência de outubro não garante um desfecho imediato para a disputa. O advogado Enrico Giarda, que representa o Brasil no processo, indicou que o procedimento será reiniciado do zero, com a possibilidade de recursos. A Advocacia-Geral da União (AGU) sustenta que o pedido brasileiro está em conformidade com o tratado de extradição bilateral.
