TCU critica "festival de horrores" e cobra definição sobre Angra 3
TCU critica “festival de horrores” e cobra definição sobre Angra 3

TCU critica “festival de horrores” e cobra definição sobre Angra 3

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a abertura de um procedimento específico para acompanhar a situação das obras da Usina Termonuclear de Angra 3, que permanecem paralisadas desde 2015. O presidente do órgão fiscalizador, Vital do Rêgo, classificou a indefinição sobre o futuro do empreendimento como um “festival de horrores”, alertando para o […]

Resumo

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a abertura de um procedimento específico para acompanhar a situação das obras da Usina Termonuclear de Angra 3, que permanecem paralisadas desde 2015. O presidente do órgão fiscalizador, Vital do Rêgo, classificou a indefinição sobre o futuro do empreendimento como um “festival de horrores”, alertando para o desperdício de recursos públicos.

A decisão do TCU surge em um momento de crescente preocupação com os custos da obra inacabada. Segundo o ministro Benjamin Zymler, o governo já investiu cerca de R$ 8 bilhões em Angra 3, mas necessitaria de um aporte adicional de R$ 20 bilhões para sua conclusão. Zymler destacou que a inércia na tomada de decisão sobre o futuro da usina, que possui capacidade instalada de 1.405 MW e poderia oferecer “segurança energética” ao país, apenas aumenta a dívida pública.

A crítica ecoou entre os demais ministros do tribunal. Augusto Nardes apontou a falta de projetos estratégicos no Brasil, atribuindo-a a uma governança falha que não prioriza temas centrais para a nação. Jorge Oliveira considerou uma “afronta” manter uma obra de custo “elevadíssimo” parada, ressaltando o prejuízo mensal com a manutenção e o impacto nos parcos recursos disponíveis para políticas públicas. Odair Cunha classificou a situação como um “paradoxo grave”, uma vez que o país participa de leilões de reserva de capacidade com custos de energia altos, enquanto um projeto de geração de energia como Angra 3 permanece inativo.

Uma auditoria realizada pelo TCU em fevereiro deste ano, sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus, já havia identificado insuficiência de recursos financeiros e orçamentários para a continuidade do projeto. Na ocasião, o tribunal comunicou ao BNDES, à Casa Civil e a outros órgãos que a inércia do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nos últimos dois anos em decidir pela retomada ou abandono organizado da obra de Angra 3 contribuiu para um desperdício de aproximadamente R$ 2 bilhões. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo TCU.

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