Wally Funk, uma das primeiras mulheres a passar por testes de astronauta e que realizou o sonho de ir ao espaço na maturidade, faleceu aos 87 anos.
Mary Wallace Funk, conhecida mundialmente como Wally Funk, morreu nesta quarta-feira (8) em sua residência em Grapevine, Texas, Estados Unidos. Aos 87 anos, Funk deixa um legado como uma das aviadoras mais talentosas de sua geração e uma inspiração por sua perseverança em conquistar o espaço, um sonho adiado por décadas devido ao machismo institucional.
A confirmação de sua morte foi dada por Mona Quintanilla, porta-voz da cidade de Grapevine. A aviação foi, nas palavras da própria Funk em suas memórias de 2020, “toda a minha vida. Eu a como e a respiro”. Sua paixão pela aviação a levou a se destacar desde cedo, acumulando mais de 19 mil horas de voo ao longo de sua carreira, segundo seu livro “Higher Faster Longer”.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Associated Press e pela Blue Origin.
A luta contra a exclusão da Nasa
No início da década de 1960, Wally Funk integrou o grupo Mercury 13, composto por 25 mulheres selecionadas para testes que avaliariam a capacidade feminina em missões espaciais. Funk foi a única aviadora do grupo a ser aprovada em todas as avaliações, demonstrando habilidade e resiliência superiores. No entanto, a agência espacial americana, a Nasa, optou por selecionar apenas homens para o programa espacial, com o grupo Mercury Seven se tornando os primeiros astronautas americanos. A justificativa era a falta de preparo da agência para lidar com a participação feminina em voos espaciais.
A Nasa só passou a admitir mulheres em 1978, quando Funk já tinha 39 anos. A primeira mulher americana a viajar ao espaço foi Sally Ride, em 1983, e a primeira mulher no mundo a fazê-lo foi a russa Valentina Tereshkova, em 1963. Apesar da rejeição inicial, Funk não abandonou sua paixão e sua carreira na aviação.
Carreira notável e o voo espacial tardio
Wally Funk trilhou um caminho impressionante na aviação. Lecionou aviação, supervisionou investigações de acidentes aéreos como a primeira mulher inspetora da Administração Federal de Aviação (FAA) e do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB). Foi proprietária de uma escola de aviação, pilotou aeronaves comerciais e participou de corridas aéreas femininas. Seu pioneirismo foi reconhecido com sua inclusão no hall da fama das pioneiras da Women in Aviation International (WAI) em 1995 e no Muro de Honra do Museu Nacional do Ar e do Espaço em 2017.
O ápice de sua jornada ocorreu em julho de 2021, quando, aos 82 anos, participou de um voo suborbital de 10 minutos a bordo do New Shepard, foguete da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos. Na ocasião, ela se tornou uma das pessoas mais velhas a viajar ao espaço, realizando um sonho que a Nasa lhe negou décadas antes. “Subimos direto, e eu vi a escuridão. Eu ia ver o mundo, mas não estávamos em uma altitude suficiente. Adorei cada minuto. Só queria que tivesse durado mais”, declarou Funk após a experiência.
Embora o recorde de pessoa mais velha no espaço tenha sido superado posteriormente por William Shatner e Ed Dwight, a participação de Wally Funk marcou um momento significativo, celebrando a resiliência e a conquista de um objetivo de vida, apesar dos obstáculos impostos por sua época. Wally Funk não deixa parentes próximos, mas seu legado como pioneira e símbolo de perseverança permanece.
