O inverno chegou e, com ele, a pele pode apresentar sinais de sofrimento. O ressecamento, a coceira e a sensibilidade tornam-se queixas comuns, levando muitos a acreditar que apenas o hidratante resolve o problema. No entanto, especialistas alertam que uma abordagem mais completa é necessária para proteger a pele durante os meses mais frios.
A proteção da pele no inverno começa com atitudes simples, mas eficazes. Dermatologistas recomendam banhos mais curtos e com água morna, evitando o uso de sabonetes agressivos. A aplicação de hidratantes, preferencialmente logo após o banho, com a pele ainda úmida, potencializa a absorção e a eficácia do produto. Para quem busca um cuidado extra, a escolha de hidratantes em creme, com maior densidade e poder de hidratação, é indicada em detrimento das loções mais fluidas.
A atenção aos ingredientes presentes nos cosméticos também faz a diferença. Componentes como ceramidas, glicerina, pantenol, ácido hialurônico, manteiga de karité e ureia em baixas concentrações auxiliam na redução da perda de água e combatem o ressecamento. No quesito limpeza, a preferência deve ser por sabonetes suaves, de tecnologia syndet (que produzem menos espuma e ressecam menos a pele) ou formulados para peles sensíveis, idealmente sem perfume, conforme orienta a dermatologista Bárbara Miguel.
Quando procurar um médico?
Embora o cuidado diário seja fundamental, há sinais que indicam a necessidade de avaliação profissional. O ressecamento persistente que não melhora com os cuidados habituais, coceira intensa, vermelhidão acentuada, rachaduras, dor, sangramento, feridas ou sinais de infecção exigem atenção médica. Da mesma forma, manchas ou lesões novas que não desaparecem ou mudam de aspecto, independentemente da estação, devem ser examinadas por um dermatologista, explica Carlos Barcaui, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Doenças de pele agravadas no frio
O clima mais seco e frio pode intensificar quadros de doenças dermatológicas preexistentes. A dermatite atópica, caracterizada por lesões avermelhadas e coceira intensa, pode se manifestar ou piorar em adultos e crianças. Já a dermatite seborreica, comum no couro cabeludo, também pode ser agravada pelo calor da água do banho. A psoríase, uma condição inflamatória, tende a apresentar aumento da descamação e desconforto, enquanto a rosácea pode deixar a pele mais sensível e reativa.
Regiões que exigem atenção especial
Algumas partes do corpo são naturalmente mais suscetíveis ao ressecamento no inverno. Mãos, devido ao contato frequente com água e produtos de limpeza, necessitam de hidratação constante com cremes específicos. Pés, com pele mais espessa, podem se beneficiar de hidratantes com ureia, mas a secagem cuidadosa, especialmente entre os dedos, é crucial para prevenir micoses. Cotovelos e joelhos também pedem hidratação diária, e os lábios se beneficiam do uso regular de protetores para evitar rachaduras.
Erros comuns e como evitá-los
Um equívoco frequente é deixar de usar protetor solar, acreditando que sua necessidade se restringe ao verão. Especialistas reforçam a importância da aplicação diária, mesmo em dias nublados, com reaplicação ao longo do dia. O uso de roupas de lã ou tecidos sintéticos em contato direto com a pele pode causar irritação; uma camada de algodão por baixo ameniza o atrito. Pessoas com pele oleosa ou com acne não devem abandonar o hidratante, mas sim optar por texturas leves, oil-free e não comedogênicas. Por fim, a atenção à higienização e ventilação dos pés, aliada à alternância de calçados, previne problemas comuns nesta época.
Outros hábitos prejudiciais incluem banhos muito quentes e prolongados, o uso excessivo de buchas, esfoliações frequentes em pele fragilizada e a manutenção de rotinas de skincare agressivas, sem adaptação às necessidades da pele no frio. A introdução de um bom hidratante e a moderação no uso de produtos adstringentes ou ácidos são essenciais para manter a barreira cutânea íntegra.
As informações foram reunidas a partir de recomendações de dermatologistas e publicações especializadas em saúde e bem-estar.
