A campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou nesta quinta-feira (22) uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando o cancelamento da anotação do canal de WhatsApp “Exército de Lula” como um canal de comunicação oficial. A medida surge após o deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal, anunciar publicamente que o presidente Lula havia sido incluído como administrador da plataforma.
A defesa argumenta que o registro do canal foi feito sob a condição imposta pelo ministro Nunes Marques, presidente do TSE na ocasião, de que o funcionamento da plataforma estaria atrelado à sua inclusão na ficha de candidatura. Posteriormente, o próprio Nunes Marques teria permitido que a campanha petista solicitasse o cancelamento a qualquer tempo. “A campanha presidencial do ora peticionário não dispõe de acesso de administração, não publica, não edita e não remove nada no canal”, assegura a petição.
O “Exército de Lula” tornou-se um ponto central na estratégia de comunicação da campanha, especialmente na atuação do deputado André Janones, que passou a gerenciar o canal e a distribuir “tarefas” para a militância engajar-se no combate a adversários políticos. A inclusão de Lula como administrador, divulgada por ele mesmo em vídeo com a frase “Eu quero todo o exército do Lula pronto, porque a batalha vai ser dura e nós vamos derrotar os adversários”, intensificou o debate sobre a vinculação do canal à campanha.
O canal já esteve no centro de disputas judiciais entre os ministros Nunes Marques e Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral Eleitoral, que trocaram decisões sobre a suspensão ou não da plataforma, após pedidos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Novas Regras para Canais de Campanha
Em resposta a controvérsias como essa, o TSE aprovou em outubro de 2026 uma resolução com critérios mais claros para diferenciar canais vinculados a campanhas de canais de terceiros. Para ser considerado oficial, um canal precisa atender a pelo menos um de seis critérios, como o uso de recursos da campanha, troca habitual de material ou pessoal, suporte técnico ou tecnológico da campanha, divulgação do link em perfis oficiais, atuação coordenada para direcionar seguidores ou orientação sobre publicações. Apoio espontâneo, menção isolada ou participação pontual do candidato não configuram mais vinculação.
Relatório da Meta é Exigido pelo TSE
Em sua mais recente movimentação no caso, Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e determinou que a Meta, empresa dona do WhatsApp, apresente em 24 horas um relatório técnico detalhado sobre o canal “Exército de Lula”. O documento deve verificar os horários das atividades para identificar se há atuação coordenada, conforme as novas regras, e apurar a existência de publicidade paga ou engajamento artificial, além de detalhar mensagens encaminhadas ou excluídas. O levantamento está previsto para esta sexta-feira (23).
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela imprensa.
