Investigação apura se gravações íntimas foram usadas para pressionar autoridades
Vídeos de cunho sexual registrados em festas promovidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que contaram com a presença de autoridades de diferentes esferas políticas e do Judiciário, estão sob análise da Polícia Federal. A principal linha de investigação não foca no teor íntimo das gravações, mas na possibilidade de que elas tenham sido utilizadas como instrumento de pressão e até mesmo chantagem para obter apoio político e institucional para Vorcaro e o Banco Master, que foi liquidado em 2025.
O material, apreendido em discos rígidos e celulares do ex-banqueiro, pode ganhar centralidade nos inquéritos da operação Compliance Zero caso se confirme que as imagens foram usadas para coagir figuras dos três Poderes a sustentar o Banco Master ou se as festas foram financiadas com recursos públicos desviados. A defesa de Vorcaro contesta essa interpretação, alegando que os encontros eram de natureza estritamente privada entre adultos e negam qualquer uso para influenciar decisões ou favorecer interesses empresariais.
A polêmica sobre os vídeos ganhou novo fôlego após o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, relatar ter visto uma gravação de 12 minutos de uma festa de Vorcaro, onde estariam presentes autoridades e personalidades de diversos setores. Eventos com características semelhantes foram realizados em Nova York e possivelmente no Brasil, com a peculiaridade de que, em algumas ocasiões, apenas as mulheres eram obrigadas a entregar seus celulares na entrada, enquanto os homens podiam portá-los.
As informações foram apuradas com base em relatos de pessoas próximas às investigações e declarações públicas que trouxeram o caso à tona.
Duas frentes de apuração sobre os eventos privados
A investigação policial segue duas vertentes principais. A primeira, já mencionada, foca na potencial utilização das gravações como ferramenta de chantagem para garantir sustentação política e institucional ao Banco Master. Se essa conexão for comprovada, o caso ganha uma nova dimensão de gravidade, configurando um possível esquema de chantagem institucional. O acesso a esses materiais é restrito para evitar vazamentos que possam comprometer as investigações, como já teria ocorrido com um dossiê elaborado por um perito afastado.
A segunda frente de apuração investiga a logística das festas, com suspeitas de exploração sexual e tráfico de pessoas no recrutamento de mulheres estrangeiras, frequentemente do Leste Europeu, para atuar como acompanhantes. A PF busca entender como essas mulheres entravam nos países, o trânsito aduaneiro e os meios de transporte utilizados, com a hipótese de que aviões particulares do empresário fossem empregados. Além disso, a origem dos recursos para bancar esses eventos luxuosos está sob escrutínio, com a suspeita de desvio de fundos de previdência e investimentos públicos, além de fraudes relacionadas a descontos de beneficiários do INSS.
