UEFA critica interferência política em suspensão de cartão de Balogun após ligação de Trump
UEFA critica interferência política em suspensão de cartão de Balogun após ligação de Trump

UEFA critica interferência política em suspensão de cartão de Balogun após ligação de Trump

Entidade máxima do futebol europeu se manifesta contra decisão inédita da FIFA sobre caso de Folarin Balogun. A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) manifestou nesta segunda-feira (6) sua “incredulidade” e criticou veementemente a decisão da FIFA de suspender a punição do atacante americano Folarin Balogun, expulso em partida da Copa do Mundo. A […]

Resumo

Entidade máxima do futebol europeu se manifesta contra decisão inédita da FIFA sobre caso de Folarin Balogun.

A União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) manifestou nesta segunda-feira (6) sua “incredulidade” e criticou veementemente a decisão da FIFA de suspender a punição do atacante americano Folarin Balogun, expulso em partida da Copa do Mundo. A medida, considerada “incompreensível e injustificável” pela UEFA, foi tomada após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter contatado a FIFA para solicitar a revisão do caso, alegando que a entidade poderia ter “cruzado uma linha vermelha” e prejudicado a integridade do esporte.

Em comunicado oficial, a UEFA declarou que a credibilidade das competições fica ameaçada quando a certeza das regras não é mais garantida por seus responsáveis. A entidade destacou que a integridade do jogo está em risco diante de tal cenário. A Reuters buscou contato com a FIFA para obter um comentário sobre a declaração da UEFA, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

A polêmica envolve a expulsão de Balogun, que marcou três gols pelos Estados Unidos no torneio. O atacante foi advertido com cartão vermelho após revisão do VAR por um lance em que arrastou as chuteiras na parte de trás da perna de um adversário durante a vitória sobre a Bósnia, na fase oitavas de final. A intervenção de Trump junto ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, teria sido o gatilho para a suspensão da aplicação da punição por um período probatório de um ano, sem, contudo, anular o cartão vermelho.

Repercussão e questionamentos sobre a autonomia do esporte

A decisão da FIFA gerou surpresa e forte reação de outras federações. A Real Associação Belga de Futebol (RBFA) expressou estar “estarrecida” com a medida e, segundo o jornal The Athletic, já teria enviado uma carta à FIFA para apresentar um recurso formal. A interferência política no processo disciplinar esportivo também foi alvo de críticas por parte de Glenn Micallef, comissário europeu para o esporte, que enfatizou que decisões sobre regras e assuntos esportivos devem pertencer às entidades esportivas, e não a políticos, para preservar a autonomia do esporte.

Técnicos renomados que participam da Copa também se manifestaram sobre o caso. Thomas Tuchel questionou a consistência das decisões e os critérios utilizados para futuras revisões. Stake Solbakken, da Noruega, classificou a decisão como ruim para o Mundial e lamentou que a vitória dos Estados Unidos possa ficar sob essa sombra. Rudi Garcia, técnico da Bélgica, ironizou a situação, comparando a data da decisão com o Dia da Mentira e ressaltando a importância de defender o futebol, não apenas seleções nacionais.

O presidente da Federação Alemã de Futebol, Bernd Neuendorf, alertou para os riscos à integridade da competição e à credibilidade da FIFA, pedindo uma resposta rápida e definitiva para afastar qualquer percepção de interferência política. A Federação Alemã solicitou um comunicado imediato da FIFA esclarecendo os fatos sobre o telefonema entre Trump e Infantino que teria precedido a anulação da suspensão.

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