Tecidos de fígado e rim são bioimpressos pela primeira vez no espaço
Tecidos de fígado e rim são bioimpressos pela primeira vez no espaço

Tecidos de fígado e rim são bioimpressos pela primeira vez no espaço

Bioimpressão em Microgravidade Uma empresa de biotecnologia americana, a Auxilium Biotechnologies, anunciou um marco inédito: a bioimpressão de tecidos contendo células humanas de fígado e rim a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Esta conquista representa a primeira vez que estruturas de órgãos tão complexos são fabricadas no espaço, com o potencial de revolucionar a […]

Resumo

Bioimpressão em Microgravidade

Uma empresa de biotecnologia americana, a Auxilium Biotechnologies, anunciou um marco inédito: a bioimpressão de tecidos contendo células humanas de fígado e rim a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Esta conquista representa a primeira vez que estruturas de órgãos tão complexos são fabricadas no espaço, com o potencial de revolucionar a produção de tecidos para transplantes e o desenvolvimento de terapias médicas.

A missão, que utilizou uma bioimpressora 3D enviada ao espaço em 2024, superou um dos maiores desafios da engenharia de tecidos: o controle preciso da distribuição celular. Em ambientes de microgravidade, a Auxilium observou que a distribuição de células em uma estrutura tridimensional se torna mais uniforme, um feito difícil de replicar na Terra devido à ação da gravidade. As células de fígado e rim utilizadas nos experimentos foram fornecidas por pesquisadores da Universidade Wake Forest, nos Estados Unidos.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.

O Potencial da Microgravidade para a Medicina Regenerativa

O controle da localização celular é crucial para o funcionamento adequado de tecidos e órgãos. Na Terra, cientistas ainda buscam métodos para garantir que as células se organizem de maneira ideal em estruturas tridimensionais. Jacob Koffler, cofundador da Auxilium, explicou que a microgravidade oferece um ambiente propício para alcançar essa precisão, permitindo um posicionamento celular mais uniforme.

Inicialmente, a Auxilium desenvolveu a tecnologia de bioimpressão com o objetivo de aprimorar implantes de reparo nervoso. A ideia era distribuir uniformemente partículas contendo medicamentos dentro desses implantes, garantindo que os nervos em regeneração recebessem uma exposição contínua a compostos que promovem a cicatrização. Como essas partículas tendem a se agrupar ou afundar sob a gravidade terrestre, o espaço se tornou uma solução para obter uma distribuição mais homogênea.

Na missão mais recente, a empresa expandiu suas capacidades enviando biotintas especiais para a ISS, permitindo a impressão de tecidos de fígado e rim. A equipe de Koffler monitorou o processo remotamente da Terra, enviando instruções atualizadas para a impressora conforme necessário. Os tecidos impressos já retornaram ao planeta e estão sob análise detalhada.

Aplicações Futuras e o Caminho para a Clínica

Embora as estruturas criadas não sejam órgãos funcionais completos, Anthony Atala, do Instituto Wake Forest de Medicina Regenerativa, destacou que a uniformidade celular alcançada no espaço abre “possibilidades reais de fabricação de dispositivos médicos e tecidos no espaço”. A expectativa é que o campo avance gradualmente, focando inicialmente em fragmentos de tecido que possam auxiliar na reparação de órgãos danificados, como o fígado.

Este avanço também reflete o crescente interesse na fabricação comercial no espaço, especialmente com a NASA planejando a aposentadoria da Estação Espacial Internacional. A Auxilium já firmou acordos com empresas que desenvolvem novas estações espaciais comerciais e plataformas orbitais. No entanto, a aplicação clínica de produtos médicos fabricados no espaço ainda está a anos de distância, com os caminhos regulatórios apenas começando a ser definidos, como indicam discussões recentes com a FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA).

“Vai levar alguns anos até chegarmos à clínica. Mas é importante começar a construir essa estrutura agora”, concluiu Koffler, ressaltando a importância de estabelecer as bases para a futura medicina espacial.

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