Pedidos de investigação sobre o Banco Master seguem sem avanço no Congresso
O caso envolvendo o Banco Master já motivou a apresentação de quatro propostas de investigação no Congresso Nacional: duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e duas Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs). As iniciativas partiram de parlamentares de diferentes espectros políticos, incluindo oposição, governistas e integrantes da esquerda. Apesar disso, nenhuma delas foi instalada até agora.
Na Câmara dos Deputados, a tramitação dos pedidos depende do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo ele, a análise seguirá a ordem de protocolo das solicitações já existentes, sem qualquer prioridade para o caso do Banco Master. O argumento é que há outros requerimentos aguardando apreciação antes da proposta atual.
Já no Congresso Nacional, a criação de uma CPMI depende da leitura do requerimento em sessão conjunta de deputados e senadores. Essa etapa está sob responsabilidade do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não realizou o procedimento. Questionado sobre a razão da demora, Alcolumbre evitou detalhar os motivos e afirmou apenas que não comentaria o assunto.
Durante uma sessão realizada em maio, o senador sustentou que a leitura dos requerimentos é uma atribuição da Presidência do Congresso e ressaltou que a pauta daquele encontro estava voltada exclusivamente à análise de vetos presidenciais. Na ocasião, reforçou que cabe à Presidência definir o momento adequado para a apreciação dos pedidos.
Mais recentemente, Alcolumbre declarou que órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça e outras instituições já investigam o caso. Na avaliação dele, a abertura de uma nova comissão poderia ser utilizada com fins políticos e eleitorais.
A posição do presidente do Congresso tem recebido críticas de parlamentares de diferentes partidos. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ), autor de um dos requerimentos, argumenta que uma comissão que já cumpriu as exigências regimentais deveria ser instalada sem depender de avaliação política da Presidência.
As cobranças também surgem entre integrantes da base governista. O deputado Pedro Uczai (PT-SC) defendeu publicamente a criação de uma CPMI para aprofundar os esclarecimentos sobre o caso, alegando que o tema já ganhou ampla repercussão e merece investigação célere.
Outro defensor da apuração é o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), que reuniu assinaturas suficientes para apoiar uma das propostas. Senadores alinhados ao governo também têm pressionado pela instalação da comissão, sustentando que a investigação pode ajudar a esclarecer responsabilidades e conexões relacionadas ao caso.