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Projeto inédito no Brasil treina cães para identificar câncer e outras doenças pelo olfato

Projeto inédito no Brasil treina cães para identificar câncer e outras doenças pelo olfato

Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) iniciaram um estudo pioneiro no Brasil que pretende utilizar a capacidade olfativa dos cães para auxiliar na detecção de doenças como câncer, tuberculose e esquistossomose. Batizada de “Xero”, a pesquisa será desenvolvida ao longo de quatro anos e busca treinar cães para reconhecer sinais biológicos associados a […]

Resumo

Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) iniciaram um estudo pioneiro no Brasil que pretende utilizar a capacidade olfativa dos cães para auxiliar na detecção de doenças como câncer, tuberculose e esquistossomose.

Batizada de “Xero”, a pesquisa será desenvolvida ao longo de quatro anos e busca treinar cães para reconhecer sinais biológicos associados a enfermidades humanas por meio da análise de amostras como urina, ar expirado e outros materiais biológicos.

O treinamento acontecerá no Centro de Ciências da Saúde da Ufes, em Vitória, e contará com a participação voluntária de cães inscritos por seus tutores. Os animais passarão por sessões semanais de condicionamento baseadas em reforço positivo, recebendo recompensas alimentares sempre que identificarem corretamente uma amostra relacionada às doenças estudadas.

Segundo os pesquisadores, a metodologia permite que os cães associem determinados odores à recompensa, aumentando gradualmente a precisão na identificação dos padrões biológicos investigados.

O projeto é realizado em parceria com especialistas da Nova Zelândia, país que já desenvolve pesquisas semelhantes com resultados considerados promissores. De acordo com os cientistas envolvidos, alguns cães treinados em estudos internacionais alcançaram índices de acerto superiores a 90%.

Para garantir a segurança dos animais e a qualidade dos testes, as amostras serão armazenadas em recipientes protegidos por sistemas de filtragem e manipuladas em ambiente controlado. Todo o processo será automatizado e monitorado por câmeras para reduzir interferências humanas durante os experimentos.

Uma das tecnologias utilizadas será um carrossel mecânico desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Waikato, na Nova Zelândia. O equipamento apresentará diferentes amostras aos cães, que indicarão a presença ou ausência dos marcadores biológicos por meio de interações previamente treinadas.

A equipe acredita que, no futuro, a técnica poderá complementar métodos tradicionais de diagnóstico e contribuir para a identificação precoce de doenças, ampliando o acesso a exames de triagem.

Os pesquisadores destacam que qualquer cão pode participar do estudo, independentemente da raça. No entanto, animais com maior interesse por brincadeiras e recompensas alimentares tendem a apresentar melhor desempenho durante o treinamento.

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