Final histórica pode definir hegemonia entre Brasil e Argentina na Libertadores
Palmeiras e Estudiantes se reencontram em uma final de Copa Libertadores 58 anos após o primeiro confronto decisivo entre as equipes. A partida, marcada para 28 de novembro no lendário Estádio Centenário, em Montevidéu, tem um peso histórico adicional: definirá qual país, Brasil ou Argentina, assumirá a liderança isolada no ranking de nações com mais títulos na competição. Atualmente, ambos os países ostentam 25 troféus, concentrando 75% das conquistas ao longo das 66 edições do torneio.
A rivalidade entre brasileiros e argentinos na Libertadores é profunda e marcada por períodos de domínio alternados. Nas décadas de 1960 e 1970, a Argentina foi a força dominante, com 12 títulos contra apenas três do Brasil. O Independiente, em especial, conquistou quatro taças consecutivas entre 1972 e 1975, com Estudiantes e Boca Juniors também desempenhando papéis importantes nesse período. Foi justamente nessa era de ouro argentina que Palmeiras e Estudiantes se enfrentaram pela primeira vez em uma final, em 1968, com a equipe de La Plata levando a melhor em uma decisão que exigiu três partidas.
Aquele confronto de 1968, vencido pelo Estudiantes por 2 a 0 no jogo de desempate no Centenário, ajudou a Argentina a fechar a década de 60 com cinco títulos, contra dois brasileiros (ambos do Santos de Pelé). Na década seguinte, o domínio argentino se acentuou, com sete taças contra apenas uma do Brasil (Cruzeiro, em 1976). Ao final do século XX, a Argentina liderava o histórico com 17 títulos contra 11 do Brasil.
A virada brasileira no século XXI
A partir de 2001, no entanto, o cenário começou a mudar drasticamente. Nas 25 edições concluídas entre 2001 e 2025, clubes brasileiros conquistaram 14 títulos, o dobro dos sete argentinos. Essa ascensão se intensificou entre 2019 e 2025, período em que o Brasil emplacou sete títulos consecutivos, culminando no empate histórico de 25 troféus para cada país.
O último clube de fora do Brasil a erguer a taça da Libertadores foi o River Plate em 2018. Desde então, quatro clubes brasileiros dominaram a competição: Flamengo (três títulos – 2019, 2022, 2025), Palmeiras (dois títulos – 2020, 2021), Fluminense (2023) e Botafogo (2024). Outros clubes como São Paulo, Internacional, Santos, Corinthians, Atlético-MG e Grêmio também somam conquistas neste século.
Palmeiras busca revanche e igualar recorde do Flamengo
Para o Palmeiras, a final contra o Estudiantes carrega um sabor de revanche pela derrota de 1968. Além disso, uma vitória colocaria o clube paulista em igualdade com o Flamengo como o maior vencedor brasileiro da Libertadores, ambos com quatro títulos. O técnico português Abel Ferreira, que já disputou a final do torneio continental quatro vezes, demonstrou confiança em seu elenco.
“Nossos atletas estão preparados, normalizamos algo muito difícil, chegar na final da Libertadores”, declarou Ferreira. Do lado do Estudiantes, o técnico uruguaio Alexander Cacique Medina celebra a jornada de sua equipe, que eliminou o Flamengo no Maracanã. “Para mim, como uruguaio, o Maracanã e o Centenário são dois templos da nossa história. Imagine o que eu sinto hoje por dentro, passar por um time brasileiro neste estádio e ir enfrentar outro brasileiro no Centenário”, afirmou Medina, ressaltando a importância simbólica do palco da final para o futebol sul-americano.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados sobre a história da Copa Libertadores da América.
