Operação contra publicitário de Vorcaro pode aprofundar investigação sobre "Dark Horse"
Operação contra publicitário de Vorcaro pode aprofundar investigação sobre “Dark Horse”

Operação contra publicitário de Vorcaro pode aprofundar investigação sobre “Dark Horse”

Polícia Federal busca novas provas na casa e escritório de publicitário ligado a Daniel Vorcaro A nova etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (9), mira o publicitário Thiago Miranda e promete trazer desdobramentos significativos para a investigação sobre o filme “Dark Horse”, que aborda a vida de Jair Bolsonaro. A ação policial, com […]

Resumo

Polícia Federal busca novas provas na casa e escritório de publicitário ligado a Daniel Vorcaro

A nova etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (9), mira o publicitário Thiago Miranda e promete trazer desdobramentos significativos para a investigação sobre o filme “Dark Horse”, que aborda a vida de Jair Bolsonaro. A ação policial, com buscas e apreensões autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem como objetivo coletar mais evidências sobre a atuação de Miranda na contratação de jornalistas e influenciadores digitais para defender os interesses do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e criticar o Banco Central.

Investigadores e advogados próximos ao caso acreditam que as provas obtidas com Miranda poderão alimentar outra frente de investigação já em andamento, relacionada ao filme “Dark Horse”. Miranda é apontado como peça central na aproximação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atual pré-candidato à Presidência, especialmente no que diz respeito ao patrocínio da obra cinematográfica, que contou com apoio direto do senador.

As informações sobre o envolvimento de Miranda na intermediação do patrocínio para o filme foram reveladas em maio pelo site The Intercept Brasil. Na época, reportagens apresentaram mensagens e áudios que indicavam pedidos de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro por recursos para a produção do longa, em outubro e novembro de 2025. Documentos divulgados apontam que Vorcaro teria se comprometido a investir R$ 134 milhões, dos quais R$ 62 milhões teriam sido efetivamente repassados.

Thiago Miranda: O Elo entre Banco Master e o Filme de Bolsonaro

As mensagens interceptadas revelam que Thiago Miranda foi o responsável por conectar Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro no final de 2024. Em 8 de dezembro daquele ano, o publicitário teria organizado um encontro entre ambos na residência do banqueiro em Brasília. A comunicação trocada entre Miranda e Vorcaro demonstra a organização do evento, com o publicitário confirmando a presença do senador. Pouco tempo depois, o deputado Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, enviou um áudio a Vorcaro agradecendo pelo apoio e destacando a importância da obra para o país.

Ao longo de 2025, o contato entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro se intensificou, com Thiago Miranda continuando a atuar como intermediário. Em março, o publicitário encaminhou a Vorcaro uma captura de tela que sugeria formas de enviar recursos para os Estados Unidos, local de produção do filme, com um número atribuído ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em agosto, Miranda enviou ao banqueiro uma tabela detalhando o cronograma de financiamento, indicando que US$ 10,6 milhões de um total de US$ 23,9 milhões previstos já haviam sido transferidos. A resposta de Vorcaro, “segunda fazemos duas”, e a confirmação de Miranda em “monitorar essa reta final” sugerem um acompanhamento próximo das transações.

Acesso Ampliado a Provas e Novas Linhas de Investigação

Até o momento, as informações sobre as negociações envolvendo Miranda eram obtidas a partir de celulares de Daniel Vorcaro. Com a operação desta quinta-feira, a Polícia Federal terá acesso direto aos dispositivos de Thiago Miranda, o que deverá expandir significativamente o volume de dados sobre as transações e conversas relacionadas ao filme “Dark Horse”. Miranda não era formalmente investigado no caso Master até então, mas sua inclusão no inquérito surge a partir de indícios de que ele também obtinha dados pessoais de desafetos ou pessoas de interesse de Vorcaro por meios ilícitos, em moldes semelhantes a outros grupos ligados ao banqueiro.

As ordens de busca e apreensão emitidas pelo ministro André Mendonça são abrangentes e permitem à PF vasculhar celulares, computadores, documentos físicos e digitais, incluindo informações armazenadas na internet. O objetivo é elucidar com mais clareza como e por que Daniel Vorcaro decidiu financiar o filme “Dark Horse”.

Suspeitas de Irregularidades e Conexão com Ações Políticas

Embora Flávio Bolsonaro classifique o filme como um negócio privado, a produção passou a ser alvo de investigação após suspeitas levantadas pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) no STF. Farias questiona a origem dos recursos repassados por Vorcaro, levantando a possibilidade de que tenham advindo de fraudes financeiras operadas pelo Banco Master. Há também a suspeita de que parte dos fundos possa ter sido utilizada para custear a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes, que resultou em sua condenação por coação no curso do processo. A insinuação é que Flávio Bolsonaro, ao buscar recursos junto a Vorcaro, poderia ter contribuído para essas ações.

Outra linha de investigação aponta para a possibilidade de o filme “Dark Horse” ter sido utilizado como propaganda eleitoral irregular, o que poderia gerar novos problemas jurídicos para o senador. O pedido de Lindbergh Farias argumenta que recursos privados, mesmo que de origem aparentemente legítima, podem constituir produto de crime, meio de lavagem de dinheiro, caixa paralelo, financiamento irregular de atividade política, custeio de atos de obstrução da Justiça, remuneração indireta de campanha internacional ou vantagem indevida a agente público.

Inicialmente, Lindbergh Farias solicitou que Alexandre de Moraes assumisse a investigação. No entanto, o caso foi submetido ao presidente do STF, Edson Fachin, para definição de competência. Em junho, Fachin repassou a investigação a André Mendonça, informando que há três procedimentos relacionados ao filme sob condução do ministro no STF.

A decisão de Mendonça que autorizou a busca contra Miranda detalha a busca por dados telefônicos e telemáticos, além de documentos financeiros e contábeis. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou concordância com o pedido da PF, considerando a ação necessária para melhor elucidar as condutas sob investigação.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Polícia Federal e reportagens do The Intercept Brasil.

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