Menopausa movimenta mercado bilionário com suplementos e tratamentos
O crescimento do mercado voltado para menopausa e perimenopausa tem impulsionado uma verdadeira explosão de produtos, tratamentos e serviços voltados ao público feminino. Suplementos, terapias hormonais, cosméticos, exames, aplicativos e procedimentos prometem aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida de mulheres na meia-idade — mas especialistas alertam para os riscos da desinformação e do marketing agressivo nas redes sociais.
Nos últimos anos, a maior conscientização sobre menopausa e saúde hormonal ajudou a ampliar o debate sobre sintomas que antes eram pouco discutidos. Ao mesmo tempo, médicos e pesquisadores afirmam que parte desse movimento acabou transformando qualquer alteração física ou emocional em sinal de perimenopausa, inclusive em mulheres muito jovens.
Especialistas têm demonstrado preocupação com conteúdos publicados por influenciadores digitais e clínicas que incentivam o uso indiscriminado de terapias hormonais, principalmente testosterona e reposição hormonal, sem avaliação médica adequada.
A médica Paula Briggs, integrante da Sociedade Britânica de Menopausa, afirmou que há mulheres na faixa dos 30 anos sendo orientadas nas redes sociais a buscar tratamentos hormonais apenas por sintomas como insônia, cansaço ou enxaqueca. Segundo ela, muitos desses casos exigem investigação clínica mais ampla e não necessariamente indicam perimenopausa.
A perimenopausa é a fase de transição que antecede a menopausa e pode durar anos, marcada pela oscilação hormonal e alterações no ciclo menstrual. Já a menopausa é oficialmente caracterizada após 12 meses consecutivos sem menstruação.
Especialistas alertam que sintomas frequentemente associados à perimenopausa também podem estar relacionados ao estresse, burnout, saúde mental, envelhecimento natural ou outras condições médicas. O receio é que mulheres acabem recebendo diagnósticos incorretos e deixem de investigar problemas reais de saúde.
Nos Estados Unidos e na Europa, médicos também vêm criticando o aumento da venda de produtos sem comprovação científica robusta, como suplementos “anti-menopausa”, aparelhos tecnológicos, séruns e tratamentos que prometem reduzir ondas de calor, melhorar o humor e até retardar o envelhecimento.
Pesquisadoras ligadas à Universidade de Georgetown afirmam que a menopausa passou a ser tratada por parte da indústria como um mercado altamente lucrativo, baseado na ideia de que hormônios “desregulados” seriam responsáveis pela maioria dos problemas enfrentados pelas mulheres na vida adulta.
Especialistas defendem que mudanças no estilo de vida, acompanhamento médico responsável, saúde mental equilibrada e uma boa rede de apoio continuam sendo fundamentais para atravessar essa fase com mais qualidade de vida e segurança.