O filme “Dark Horse”, que aborda a jornada política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deu um passo importante em sua tramitação para exibição comercial no Brasil ao obter o Registro de Obra Estrangeira (ROE) junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine). Este é o primeiro de uma série de procedimentos burocráticos necessários para que o longa possa ser exibido no país.
A solicitação de registro foi formalizada pela distribuidora Europa Filmes, conforme apuração divulgada pelo site Metrópoles. Por ser classificado como obra estrangeira, o filme ainda passará por outras fases regulatórias antes que uma data oficial de estreia seja definida. A Europa Filmes informou em nota que “a distribuidora segue conduzindo os trâmites regulatórios, comerciais e operacionais necessários para a definição do cronograma de estreia. A data oficial de lançamento será divulgada oportunamente, após a conclusão dessas etapas”.
O próximo passo no processo será a requisição do Certificado de Registro de Título (CRT), documento que formaliza o registro da obra na Ancine. Somente após a emissão deste certificado, será possível solicitar a classificação indicativa ao Ministério da Justiça e atender às demais exigências legais para o lançamento do filme.
Análise prévia da Ancine e questões financeiras
Antes mesmo do pedido de registro, a Ancine realizou apurações para determinar a natureza da produção de “Dark Horse” e o papel da produtora Go Up Entertainment. O objetivo era definir se o longa deveria ser classificado como uma produção brasileira ou como uma obra estrangeira filmada em território nacional. Durante essa análise, a produtora foi obrigada a apresentar documentos como contratos, plano de filmagem e informações sobre profissionais estrangeiros envolvidos no projeto, a fim de reunir elementos que permitissem a correta classificação da obra conforme a legislação do setor audiovisual.
Paralelamente, uma das empresas ligadas ao financiamento do filme, a Entre Investimentos, tornou-se alvo de investigação pela Polícia Civil de São Paulo. A empresa é suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e teria transferido mais de R$ 26 milhões entre fevereiro e abril de 2025 para uma consultoria de tecnologia, que também responde a outros processos por supostos repasses ilegais. É importante notar que a investigação não aponta, até o momento, participação da produção cinematográfica ou da família Bolsonaro nos fatos investigados.
Segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a Entre Investimentos foi o veículo utilizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para direcionar recursos ao financiamento do filme. O deputado federal Mario Frias (PL-RJ), que é roteirista do longa, declarou que Flávio Bolsonaro não tem participação societária na produção nem na empresa responsável pelo projeto, tendo apenas autorizado o uso dos direitos de imagem da família Bolsonaro para a obra. Por sua vez, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), empresa pertencente à proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme, é suspeito de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado com a prefeitura de São Paulo para o fornecimento de internet wi-fi em bairros da capital.
