Escândalos em Copas do Mundo: Da intervenção de Trump a fraudes e polêmicas de arbitragem
Escândalos em Copas do Mundo: Da intervenção de Trump a fraudes e polêmicas de arbitragem

Escândalos em Copas do Mundo: Da intervenção de Trump a fraudes e polêmicas de arbitragem

A interferência de Donald Trump na Copa do Mundo do Catar adiciona um novo capítulo a uma história repleta de polêmicas e suspeitas que cercam seleções de países-sede em edições passadas do torneio. O presidente americano admitiu ter contatado a Fifa para pedir a revisão de um cartão vermelho aplicado ao jogador Folarin Balogun, uma […]

Resumo

A interferência de Donald Trump na Copa do Mundo do Catar adiciona um novo capítulo a uma história repleta de polêmicas e suspeitas que cercam seleções de países-sede em edições passadas do torneio. O presidente americano admitiu ter contatado a Fifa para pedir a revisão de um cartão vermelho aplicado ao jogador Folarin Balogun, uma ação que o presidente da entidade, Gianni Infantino, confirmou ter recebido. Este episódio evoca outras cinco situações marcantes que mancharam a reputação das Copas do Mundo, seja por interferência política direta ou por decisões de arbitragem questionáveis em favor das seleções anfitriãs.

Desde a primeira edição em 1930, o Mundial, que chega agora à sua 23ª edição, não esteve imune a controvérsias. A própria seleção uruguaia, pioneira em levantar a taça, é a única campeã a não participar de uma edição subsequente, justamente a sediada pela Itália fascista em 1934, boicotada por diversas nações sul-americanas.

A Copa do ‘Duce’ e a ‘Batalha de Santiago’

Em 1934, sob o regime de Benito Mussolini, a Itália sediou o torneio com suspeitas de favorecimento. O ditador teria influenciado a escolha do árbitro sueco Ivan Eklind para a semifinal contra a Áustria. Eklind foi criticado por validar um gol duvidoso que garantiu a vitória italiana, decisão que o colocou como árbitro da final, vencida pela Azzurra. Historiadores consideram este Mundial uma peça de propaganda fascista.

Oito anos depois, na Copa de 1962, no Chile, a arbitragem permissiva resultou em um dos jogos mais violentos da história: a “Batalha de Santiago”, entre Chile e Itália. Expulsões e agressões marcaram o confronto, que terminou com vitória chilena por 2 a 0. A brutalidade do jogo inspirou a criação dos cartões amarelo e vermelho, proposta pelo árbitro da partida, Ken Aston.

Ditadura Argentina e o ‘Gol Fantasma’ em Wembley

A Copa de 1978 na Argentina, sediada sob a sangrenta ditadura militar de Jorge Rafael Videla, também é marcada por polêmicas. A goleada argentina sobre o Peru por 6 a 0, que garantiu a vaga na final, levantou suspeitas de fraude. O ex-goleiro peruano Ramón Quiroga admitiu anos depois a possibilidade de suborno na partida, citando a atuação de jogadores incomuns naquele jogo. A Argentina sagrou-se campeã em casa.

Em 1966, a final em Wembley, entre Inglaterra e Alemanha Ocidental, é lembrada pelo controverso “gol fantasma” de Geoff Hurst. A bola atingiu o travessão e quicou na linha antes de ser afastada. O árbitro, após consultar o bandeirinha, validou o gol, que deu a vantagem crucial para a Inglaterra vencer por 4 a 2 e conquistar o título. Curiosamente, em 2010, um lance semelhante a favor da Alemanha não foi validado.

Controvérsias na Coreia do Sul e Japão

A Copa de 2002, sediada conjuntamente por Coreia do Sul e Japão, viu a seleção anfitriã sul-coreana chegar às semifinais em meio a fortes contestações sobre a arbitragem. Nas oitavas de final, contra a Itália, o árbitro Byron Moreno marcou pênalti inexistente e expulsou Totti por simulação, além de anular um gol legítimo de Tommasi. Nas quartas, contra a Espanha, dois gols espanhóis foram anulados por decisões controversas do árbitro Gamal Ghandour. A Coreia do Sul avançou nos pênaltis, com o goleiro Lee Woon-jae se adiantando na marca da cal.

A intervenção de Trump na Copa do Catar, embora de natureza diferente das polêmicas passadas, reabre o debate sobre a influência externa e as decisões que afetam o curso das competições, conectando o presente a um passado turbulento de escândalos em Mundiais.

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