A empresária Roberta Luchsinger afirmou em entrevista que pretende firmar um acordo de delação premiada para detalhar supostas irregularidades que envolveriam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. As declarações surgem em um momento delicado, na reta final do segundo turno das eleições presidenciais, após a empresária ter sido alvo de críticas públicas por parte do presidente e de ameaças de seus apoiadores.
Segundo Luchsinger, Lulinha mantinha encontros frequentes com ministros de Estado, o que contradiz declarações recentes do presidente Lula. Ela citou reuniões semanais do filho do presidente com figuras como Camilo Santana, ministro da Educação, e Frederico de Siqueira Filho, ministro das Comunicações. Essas conversas teriam ocorrido em uma mansão em Brasília administrada pela empresária. A Polícia Federal investiga a possibilidade de tráfico de influência, crime que ocorre quando alguém utiliza sua proximidade com autoridades para obter benefícios em troca de vantagens.
A empresária detalhou ainda sua atuação em um suposto esquema de lobby voltado para a venda de produtos ao Sistema Único de Saúde (SUS). O plano envolvia a tentativa de alterar regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para facilitar a comercialização de canabidiol, composto derivado da maconha com uso medicinal, para o governo federal. De acordo com as investigações, foram feitas propostas de pagamento de 20% sobre os negócios e enviada documentação ao chefe de gabinete da presidência. Mesmo que as negociações não tenham se concretizado, a lei brasileira considera que a mera tentativa de influenciar atos públicos já pode configurar crime.
Suspeitas sobre o chefe de gabinete
As suspeitas de corrupção envolvendo o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, surgiram após a Polícia Federal rastrear um depósito de R$ 249 mil feito por Roberta Luchsinger na conta de Marcola, que à época era considerado o braço direito do presidente. A empresária alega que o valor se tratava de um empréstimo pessoal para ajudar um amigo em dificuldades financeiras. A defesa de Marcola corrobora essa versão, afirmando que a dívida já foi quitada. No entanto, especialistas apontam que pagamentos a funcionários públicos podem ser interpretados como corrupção passiva, pois ferem a moralidade administrativa, independentemente de haver uma troca imediata de favores relacionada ao cargo ocupado.
Relações com empreiteiras
Roberta Luchsinger também relatou que Lulinha possuía uma relação próxima e realizava reuniões reservadas com o presidente de uma construtora europeia que detém contratos bilionários com o governo federal. Segundo o relato da empresária, o executivo frequentava a residência de Lulinha em Brasília para conversas a portas fechadas, o que, em sua visão, indicaria tratativas de negócios e não meros encontros sociais. A investigação busca determinar se essa proximidade resultou em algum tipo de favorecimento irregular em obras públicas conduzidas por órgãos como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Petrobras ou o próprio Palácio do Planalto.
As informações que fundamentam esta reportagem foram apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
