Copa do Mundo: Futebol une cubanos em meio à crise e apagões, trazendo alívio temporário da dura realidade

Copa do Mundo: Futebol une cubanos em meio à crise e apagões, trazendo alívio temporário da dura realidade

A Copa do Mundo como refúgio: como o futebol ameniza a crise em Cuba Em meio a um cenário de dificuldades econômicas e escassez, a Copa do Mundo de Futebol se tornou um farol de esperança e um breve alívio para os cubanos. A paixão pelo esporte, que tem crescido significativamente na ilha, oferece momentos […]

Resumo

A Copa do Mundo como refúgio: como o futebol ameniza a crise em Cuba

Em meio a um cenário de dificuldades econômicas e escassez, a Copa do Mundo de Futebol se tornou um farol de esperança e um breve alívio para os cubanos. A paixão pelo esporte, que tem crescido significativamente na ilha, oferece momentos de união e distração em um cotidiano marcado por desafios.

A transmissão do Mundial pela televisão estatal, que enfrentou atrasos iniciais devido a problemas no pagamento dos direitos de transmissão, finalmente trouxe os jogos para as casas e cafés cubanos. A expectativa em torno das partidas se tornou um tema de conversa e um motivo para reuniões, mesmo que improvisadas.

Conforme relatado por veículos de comunicação, o futebol tem ganhado cada vez mais espaço em Cuba, especialmente entre os jovens, impulsionado pela popularização da internet móvel e dos smartphones. A Copa do Mundo, neste contexto, representa uma oportunidade valiosa para esquecer, por algumas horas, os problemas cotidianos, como transportes precários e frequentes apagões.

Um respiro em meio às dificuldades: o impacto da Copa na vida dos cubanos

Apesar da forte tradição no beisebol, o futebol conquistou o coração de muitos cubanos. A chegada da internet móvel, há cerca de uma década, foi um divisor de águas, impulsionando uma nova paixão pelo esporte. A transmissão de jogos da Copa do Mundo pela TV estatal, mesmo com os percalços iniciais, gerou um clima de otimismo na ilha.

No entanto, a realidade cubana é marcada por desafios constantes. Uma rede elétrica envelhecida e um bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos resultam em frequentes apagões, que afetam diretamente a possibilidade de acompanhar as partidas. Muitos, como Ismael Veranes, diretor de recursos humanos do Teatro Nacional de Cuba, se deslocam para locais com energia para poder assistir aos jogos.

“Quando você volta cansado do trabalho, não tem eletricidade. À noite faz calor, há mosquitos, é terrível”, relatou Veranes à AFP, exemplificando as dificuldades enfrentadas. Ele, que torce pela França e pelo Brasil, vê na Copa uma forma de aliviar a mente em meio a uma rotina árdua, marcada por transportes escassos e cortes de energia.

A nova geração e a paixão pelo futebol

Enquanto gerações anteriores cresceram com o beisebol como esporte nacional, a juventude cubana de hoje demonstra uma inclinação crescente pelo futebol. A popularização dos smartphones, a partir de 2018, contribuiu significativamente para essa mudança de preferência.

Crianças como Michael, um fã de nove anos de Lionel Messi, e sua irmã Meiliuvis, de 10, brincam com uma tampinha de garrafa reproduzindo o esporte em esquinas de Havana, sob o olhar de murais icônicos. Seus pais observam e comentam essa transição, que reflete a influência da tecnologia e da cultura global.

Mesmo com campos de futebol em condições precárias, a Copa do Mundo oferece um escape mental. “Nos permite nos distrair por um tempo”, comenta Osmany, pai de Michael, com um sorriso, evidenciando o valor da Copa como um momento de lazer e diversão.

Desigualdade e a experiência da Copa em Cuba

A crise econômica em Cuba também se reflete na forma como os torcedores vivenciam a Copa do Mundo, acentuando as desigualdades. Enquanto alguns bares com TV a cabo exibem todas as partidas, com cervejas caras, muitos torcedores assistem pela calçada, sem acesso a essa infraestrutura.

“Não é a mesma coisa”, lamenta Alan, de 36 anos, observando a partida com amigos na rua. Em bairros de classe média, como El Vedado, em Havana, festas com cervejas a um dólar eram organizadas em centros culturais decorados com bandeiras e enfeites da Copa. A presença de veículos 4×4 na porta evidenciava a existência de uma pequena elite beneficiada pelo setor privado.

Contudo, mesmo nesses locais, a crise se manifesta. O sinal de televisão, por vezes, congela, gerando protestos entre os torcedores. Para o biólogo Vítor Díaz, de 24 anos, poder acompanhar a Copa é um motivo de celebração. “Ter algo que alivie todas as cargas que enfrentamos diariamente é incrível”, afirmou, reforçando o papel do futebol como um bálsamo em tempos difíceis.

Um passado glorioso e um presente desafiador para o futebol cubano

Muitos cubanos relembram com nostalgia Copas passadas, quando a televisão estatal transmitia todos os jogos e a disponibilidade de alimentos e combustíveis era menos crítica, com exceção do período pós-União Soviética no início dos anos 90.

A participação de Cuba em uma Copa do Mundo remonta a 1938, quando a seleção alcançou as quartas de final. Hoje, o país se destaca mais pela paixão crescente pelo esporte e pela forma como ele se tornou um elemento de união e esperança em meio a um cenário de desafios econômicos e sociais, oferecendo um alívio bem-vindo da dura realidade.

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