Meta detalha aprimoramentos em IA ao TSE após divergências em pedidos de imagens eleitorais
A Meta informou ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, nesta quinta-feira (15), que está trabalhando no aprimoramento dos filtros de sua inteligência artificial. A medida surge após relatos de que a ferramenta apresentava respostas diferentes ao serem solicitados pedidos de imagens eleitorais envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A reunião ocorreu em caráter reservado, pouco antes da sessão plenária do TSE e sem a presença das campanhas dos candidatos. As reclamações ganharam força após usuários relatarem que a Meta AI, integrada ao WhatsApp, recusava pedidos para criar imagens de campanha de Lula, mas aceitava solicitações semelhantes com Flávio Bolsonaro. Essa suposta disparidade levou a coligação do PT a acionar a Justiça Eleitoral.
Em nota à imprensa, a Meta declarou que proibiu temporariamente a recomendação ou geração de imagens de candidatos, e que tomou medidas adicionais para impedir que comandos com o primeiro nome e número de urna dos candidatos produzam conteúdo. A empresa e o TSE, em nota conjunta, afirmaram que os critérios para o uso de IA nas eleições foram estabelecidos por resoluções do Tribunal, e que a aplicação desses critérios foi detalhada pela Meta em seu plano de conformidade.
Acusações de seletividade e “paridade de armas”
A coligação do PT protocolou uma representação no TSE no dia 9 de outubro, questionando restrições na distribuição de conteúdos políticos nas plataformas da Meta. Na manifestação mais recente, os advogados do PT alegaram que a ferramenta apresenta tratamento desigual entre os candidatos, acusando a Meta de ser “seletiva e permite a ocorrência de inúmeros delitos digitais em favor de Flávio Bolsonaro”. Segundo a equipe jurídica, testes teriam demonstrado bloqueios a imagens favoráveis a Lula, enquanto solicitações similares envolvendo o candidato do PL seriam atendidas.
A campanha petista sustenta que a ferramenta estaria agindo com “seletividade algorítmica”, permitindo que Flávio Bolsonaro e seus apoiadores produzam, em massa, conteúdos eleitorais ilícitos e de fácil replicação. Para o TSE, a preocupação central é promover uma “paridade de armas” entre os candidatos, garantindo que o eleitor possa escolher livremente.
Canais de WhatsApp e debates sobre desinformação
A reunião entre Nunes Marques e representantes da Meta também abordou a questão dos canais de WhatsApp utilizados pelas campanhas, conhecidos como “Exército do Lula” e “Tropa do Flávio”. O canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), com mais de quatro milhões de usuários, chegou a ser derrubado após questionamentos da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou propagação de desinformação. Posteriormente, o canal foi registrado oficialmente e voltou a operar.
Após a decisão do presidente do TSE que determinou o registro oficial dos canais, a campanha de Flávio Bolsonaro agiu para registrar a plataforma que mantém, a fim de evitar uma medida semelhante. As discussões em torno do funcionamento de inteligências artificiais e o uso de plataformas de mensagens diretas refletem os desafios crescentes na fiscalização da desinformação e na garantia de um pleito equitativo na era digital.
