Cenário de especulação sobre a futura equipe econômica de Flávio Bolsonaro se intensifica
Com a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais, os bastidores políticos e econômicos já especulam sobre os nomes que poderiam compor a equipe de governo em caso de confirmação da eleição. A futura gestão, que segundo declarações do próprio candidato deve ter uma estrutura ministerial enxuta, com cerca de 27 pastas, já tem nomes circulando para as áreas cruciais da economia.
As especulações incluem membros da campanha, empresários, parlamentares e ex-integrantes do governo de Jair Bolsonaro. A coordenadora da área econômica da campanha do PL, Daniella Marques, já indicou que um eventual governo de Flávio Bolsonaro pode ter entre 20 e 25 ministérios.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por CNN Brasil, Gazeta do Povo, Folha, UOL, Metrópoles e SBT News.
Ministério da Fazenda: Nomes de peso no mercado financeiro em debate
Um dos nomes mais citados para comandar a Fazenda é Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e atual sócio da QSM Capital. Ele teria sido sugerido ao senador por um grupo de banqueiros e empresários, com apoio de Eduardo Bolsonaro. Kayath, no entanto, nega ter discutido cargos e afirma que o foco é a recuperação econômica do país com responsabilidade fiscal.
Outro nome em consideração é Alexandre Bettamio, executivo do Bank of America, conhecido por sua atuação em banco de investimento e mercado de capitais. Ele é descrito como um gestor “liberal pragmático”, com habilidade para articulação.
Roberto Campos Neto, atual presidente do Banco Central, também teria sido sondado. Sua carreira no setor financeiro é consolidada, mas um possível envolvimento em investigações teria tornado sua nomeação menos provável.
Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, é outro nome ventilado, com experiência em política fiscal e contas públicas.
Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES durante o governo Bolsonaro, também é apontado como cotado para a Fazenda, segundo apurações do UOL.
Planejamento e Orçamento: Adolfo Sachsida como forte candidato
Adolfo Sachsida, economista e integrante da coordenação econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, é apontado como forte candidato para o Ministério do Planejamento e Orçamento. Ele já ocupou cargos na Secretaria de Política Econômica e no Ministério de Minas e Energia durante o governo Bolsonaro. Pessoas próximas a Sachsida indicam que seu desejo seria comandar a Fazenda, mas ele se mostra alinhado às propostas de fortalecimento de programas sociais e redução de impostos.
Desenvolvimento Social e outras pastas em foco
Daniella Marques, porta-voz econômica da campanha e ex-presidente da Caixa, é cotada para liderar um ministério ampliado na área social, que poderia abranger também a pasta das Mulheres e algumas obras federais.
Para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o nome de Flávio Roscoe, empresário e ex-presidente da Fiemg, ganha força, com articulação de políticos e industriais mineiros.
No Ministério de Minas e Energia, Adriano Pires, especialista no setor e ex-superintendente da ANP, é o nome mais cotado. Ele já coordenou a elaboração do plano de governo de Flávio para infraestrutura e energia.
A pasta de Agricultura e Pecuária pode ser liderada por Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que indicará o nome para o ministério. Mauro Mendes, recém-eleito senador e ex-governador de Mato Grosso, também aparece como alternativa, embora tenha manifestado preferência por Minas e Energia.
Relações Exteriores e outros nomes em potencial
O diplomata Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC, é o principal cotado para o Ministério das Relações Exteriores, com apoio de setores do agronegócio e da senadora Tereza Cristina.
Outros nomes considerados para a equipe econômica incluem Caio Paes de Andrade (ex-presidente da Serpro e da Petrobras), Samuel Kinoshita (secretário da Fazenda de SP), Natália Resende (secretária de Meio Ambiente de SP) e Rafael Benini (secretário de Parcerias e Investimentos de SP). Advogados como João Pedro Nascimento (ex-presidente da CVM), Joaquim Leite (ex-ministro do Meio Ambiente), Alexandre Ywata (ex-secretário especial de Produtividade) e o gestor de fundos Walter Maciel também circulam nas especulações.
Na esfera política, Michelle Bolsonaro é cogitada para a área social, Eduardo Bolsonaro para Relações Exteriores e Rogério Marinho para um superministério que reuniria Infraestrutura, Transportes e Cidades.
Flávio Bolsonaro tem afirmado que a definição dos ministros ocorrerá somente após o segundo turno das eleições. Até o momento, o único nome anunciado publicamente para um ministério específico é o do médico Cláudio Lottenberg, cotado para a Saúde.
