Petrobras e YPFB firmam acordo para otimização da estatal boliviana
O governo da Bolívia anunciou que a Petrobras prestará assistência técnica para a reestruturação da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), estatal de petróleo do país andino. O objetivo é tornar a YPFB uma empresa mais eficiente, conforme declarado pelo ministro de Hidrocarbonetos e Energia, Marcelo Blanco. A decisão foi comunicada após uma reunião em 20 de junho com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, no Rio de Janeiro.
Segundo Blanco, a Petrobras demonstrou disposição em colaborar, compartilhando sua vasta experiência, especialmente em casos de crises semelhantes. “A Petrobras está disposta a colaborar conosco na reestruturação da YPFB. Conversamos com eles sobre a reestruturação e, com base em sua experiência anterior com crises semelhantes, eles estão dispostos a nos ajudar de todas as formas, utilizando sua vasta experiência em todas as áreas”, afirmou o ministro.
O acordo estabelece a formação de grupos de trabalho técnicos a partir da próxima semana. Estes grupos terão a tarefa de avaliar o potencial retorno da Petrobras a toda a cadeia de valor dos hidrocarbonetos na Bolívia. O ministro Blanco expressou satisfação com o resultado, vislumbrando uma parceria estratégica para impulsionar a produção e o desenvolvimento no país.
As negociações para ampliar a extração de gás natural pela Petrobras na Bolívia e para fortalecer as exportações para o Brasil tiveram início em janeiro, durante uma visita oficial do presidente boliviano Rodrigo Paz a Brasília. Atualmente, a Petrobras responde por 25% da produção total de gás natural da Bolívia, um volume significativamente menor em comparação com os 60% que já deteve no passado.
Contexto de desafios para a YPFB
A economia boliviana, historicamente sustentada pela venda de gás, enfrenta desafios recentes. As exportações para a Argentina cessaram em setembro de 2024, e a produção geral de hidrocarbonetos tem diminuído. A YPFB, em particular, tem passado por instabilidades, incluindo a troca de sua presidência três vezes entre novembro e abril. Recentemente, a distribuição de gasolina de qualidade inferior e problemas de abastecimento geraram protestos e a necessidade de um sistema de indenização por danos a veículos.
O governo boliviano atribui parte dos recentes problemas de abastecimento a bloqueios de estradas ocorridos entre maio e junho. Há também a intenção declarada de tornar a YPFB mais eficiente, após duas décadas sob o que as autoridades atuais descrevem como controle político dos governos de Evo Morales e Luis Arce. A parceria com a Petrobras é vista como um passo crucial para reverter esse quadro.
A Petrobras foi contatada para comentar o assunto, e o espaço permanece aberto para manifestações futuras da empresa.
