Ronaldo Caiado eleva o tom contra Flávio Bolsonaro
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD-GO), classificou como “inaceitável” a postura do senador Flávio Bolsonaro (PL) em relação às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para Caiado, qualquer ação que resulte em prejuízo econômico para o país pode ser interpretada como uma conspiração contra os interesses nacionais. As críticas surgiram após um encontro entre Flávio Bolsonaro e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, em maio, que precedeu o anúncio das tarifas americanas.
Em entrevista à CNN Brasil, Caiado comparou a situação à legislação sobre traição à pátria, existente em democracias, argumentando que atitudes que prejudicam a economia do país se assemelham a uma conspiração. Ele mencionou a existência de legislação antidumping que, segundo ele, não está sendo aplicada. Atualmente, o crime de traição à pátria no Brasil está previsto apenas no Código Penal Militar, em tempos de guerra, enquanto o Código Penal Civil trata de crimes contra a soberania nacional. A legislação brasileira prevê como crime “entrar em entendimento com país estrangeiro, ou organização nele existente, para gerar conflito ou divergência de caráter internacional entre o Brasil e qualquer outro país, ou para lhes perturbar as relações diplomáticas”, mas a interpretação depende de análise jurídica e das circunstâncias específicas.
Críticas à diplomacia e ao cenário econômico
Caiado também direcionou críticas ao Itamaraty, afirmando que a diplomacia brasileira deixou de ser uma política de Estado para se tornar uma “política de ideologia”. Ele questionou a posição do Brasil em negociações comerciais internacionais, citando ameaças de tarifas dos Estados Unidos, restrições sanitárias da União Europeia e o aumento de tarifas pela China. “Onde está o Brasil nessa mesa de negociação? Qual é a estatura do país para sentar nessa mesa?”, indagou o ex-governador.
O pré-candidato à presidência rejeitou a ideia de adiar a aplicação das tarifas americanas para depois das eleições brasileiras, considerando que tal medida criaria uma “falsa sensação de normalidade econômica”. “Não sei a linha de raciocínio de Flávio Bolsonaro. Sou 100% contra e a nossa preocupação é o Brasil como um todo, não um período eleitoral”, declarou. Enquanto Caiado tecia suas críticas no Brasil, Flávio Bolsonaro participava de uma audiência nos Estados Unidos para defender o cancelamento ou adiamento das tarifas, no âmbito de uma investigação americana sobre políticas brasileiras que poderiam prejudicar interesses comerciais dos EUA.
