Oposição no Congresso Nacional articula medidas para pressionar o governo federal em relação à condução da política externa brasileira. Deputados anunciaram nesta terça-feira (7) a intenção de convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos. Caso as respostas sejam consideradas insatisfatórias, a oposição promete protocolar um pedido de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as ações do Itamaraty.
A iniciativa foi liderada pelo deputado federal Evair de Melo (PP-ES), que dirigiu críticas contundentes à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao chanceler Mauro Vieira e ao assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim. A articulação da oposição ocorre um dia após a divulgação da resposta do Ministério das Relações Exteriores a um requerimento da Câmara dos Deputados. O documento abordava a classificação de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas pelos Estados Unidos. Segundo o Itamaraty, essa medida poderia abrir margem para o uso de força militar norte-americana em território brasileiro, além de impactar a soberania nacional e a economia.
O deputado Evair de Melo explicou que a oposição pretende, inicialmente, convocar o ministro Mauro Vieira para audiências nas comissões de Relações Exteriores e de Segurança Pública da Câmara. Paralelamente, os parlamentares já trabalham na elaboração de um pedido de CPMI. O objetivo é apurar o que eles classificam como “omissão” e “fragilidade” da diplomacia brasileira em temas cruciais como segurança internacional e combate ao crime organizado. “Primeiro fizemos uma manifestação por escrito. Agora, diante da resposta considerada insuficiente do ministro Mauro Vieira, decidimos convocá-lo para que venha à Câmara esclarecer esses fatos. Ao mesmo tempo, estamos preparando a minuta para coletar assinaturas para uma CPMI”, declarou o parlamentar.
Críticas à diplomacia e ao assessor Celso Amorim
O parlamentar acusou o governo Lula de adotar uma postura confrontadora em vez de buscar negociações com os Estados Unidos, especialmente diante de tensões comerciais recentes. Melo ressaltou a importância dos EUA como parceiro estratégico para diversos setores da economia brasileira, como agronegócio, indústria de celulose, mineração e produção de proteínas animais. “O governo brasileiro deveria estar sentado à mesa negociando. Os Estados Unidos são um grande parceiro econômico do Brasil. Se perdermos essa parceria, setores importantes da economia serão afetados”, argumentou.
O deputado também questionou o discurso do governo em defesa da soberania nacional, sugerindo que a estratégia visa criar uma mobilização política interna. As críticas se estenderam ao assessor especial da Presidência, Celso Amorim, apontado como o principal formulador da política externa do governo. “O grande mentor intelectual do presidente Lula é Celso Amorim”, afirmou Melo.
Relação entre crime organizado, economia e soberania
A oposição também manifestou preocupação com os impactos econômicos decorrentes, segundo eles, do avanço do crime organizado e da insegurança jurídica no país. Evair de Melo mencionou que recursos oriundos do narcoturismo estariam sendo utilizados para aquisição de empresas no Brasil. Ele alertou que a combinação de criminalidade, aumento da carga tributária e insegurança jurídica pode levar empresas a deixarem o país. Na visão do deputado, a condução da política econômica e das relações internacionais pelo governo Lula contribui para esse cenário.
A oposição informou que pretende iniciar a coleta de assinaturas para a CPMI caso considere insuficientes os esclarecimentos prestados pelo Itamaraty. “Queremos evitar a necessidade de uma CPMI. Mas, se o Itamaraty insistir no silêncio, vamos buscar a instalação da comissão para investigar esse tema”, concluiu. A reportagem buscou contato com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e com o Ministério das Relações Exteriores para obter comentários, mas não obteve retorno até a publicação.
