Anvisa libera nova indicação para Enhertu em tratamento de câncer de mama
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (6) uma nova aplicação para o Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), medicamento já utilizado no Brasil contra certos tipos de câncer de mama. A nova indicação permite o uso do fármaco em pacientes que, após quimioterapia e cirurgia, ainda apresentam células cancerígenas no tecido removido e expressam a proteína HER2. Essa proteína acelera a multiplicação celular e classifica o tumor como HER2-positivo, grupo com maior risco de recidiva e metástase.
A decisão da Anvisa representa um avanço significativo, pois o Enhertu, até então, era restrito a casos mais avançados da doença. A nova diretriz visa aumentar as chances de cura, diminuindo o risco de o câncer retornar de forma invasiva ou levar ao óbito. Um estudo que fundamentou a aprovação demonstrou uma redução de 53% no risco de recidiva ou morte para pacientes tratadas com o medicamento nessa nova fase.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Anvisa e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Como o Enhertu age no organismo
O mecanismo de ação do Enhertu é descrito como um sistema de entrega direcionada. Um anticorpo específico identifica as células tumorais e administra uma substância que induz a morte dessas células. Esse processo poupa mais células saudáveis em comparação com a quimioterapia convencional. O objetivo, segundo especialistas, é eliminar quaisquer células tumorais remanescentes após a cirurgia, elevando a probabilidade de controle definitivo da doença.
Câncer de mama HER2-positivo: um desafio no tratamento
O câncer de mama é o tipo mais diagnosticado e a principal causa de morte por câncer entre mulheres no mundo, com mais de 70 mil novos casos anuais no Brasil. Dentre eles, de 10% a 19% são classificados como HER2-positivo, um subtipo historicamente associado a um prognóstico menos favorável. A aprovação da Anvisa é um passo crucial para o acesso ao tratamento no país, mas a incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) ainda depende de aval da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e do Ministério da Saúde. Atualmente, a Conitec já analisa o Enhertu para outras indicações em estágios mais avançados da doença, mas a nova indicação para doença residual ainda não tem previsão de ser incluída nesse processo.
