Senador acusa governo de buscar tarifas para benefício eleitoral
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em Washington que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria interessado na imposição de tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo o senador e pré-candidato à Presidência, Lula acreditaria que essa medida lhe renderia dividendos políticos durante a campanha eleitoral. A declaração foi feita durante agendas do parlamentar nos EUA, onde participa de discussões relacionadas ao processo conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por avaliar a adoção das sobretaxas, com audiência prevista para esta terça-feira (7).
Em transmissão ao vivo nas redes sociais, ao lado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro declarou: “O presidente da República simplesmente lavou as mãos e ele é o único no mundo que quer essa tarifação para as empresas brasileiras porque ele acha que vai ter algum retorno político. E todos os itens que estão sendo levados em consideração para saber se vão colocar a tarifa ou não, entre eles, é a corrupção. E claramente sabemos que o governo não combate a corrupção”. O senador também divulgou um vídeo onde afirma ter viajado aos EUA para defender o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, criticando a postura do atual presidente em relação às empresas nacionais.
As informações foram reunidas a partir de declarações de Flávio Bolsonaro e análises sobre o processo comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Proposta de Tarifas e Defesa do Pix
O USTR concluiu recentemente uma investigação sobre supostas práticas comerciais brasileiras consideradas desleais e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. Um dos argumentos apresentados pelos americanos é que o Pix prejudicaria empresas dos Estados Unidos. O governo brasileiro, no entanto, tem negociado desde o ano passado para evitar a adoção dessas sobretaxas. Na semana passada, um documento foi enviado às autoridades americanas argumentando que a medida prejudicaria interesses dos próprios Estados Unidos e reduziria o espaço para o diálogo comercial entre os dois países.
Flávio Bolsonaro Propõe Adiamento e Negociação
Em uma tentativa de evitar que a oposição seja responsabilizada por uma eventual adoção das tarifas, Flávio Bolsonaro encaminhou ao governo americano um documento sugerindo que a decisão sobre o tarifaço seja adiada para depois das eleições brasileiras. No texto, o senador se apresenta como uma das principais lideranças da oposição e pré-candidato à Presidência, relembra encontros anteriores com figuras políticas americanas e propõe a abertura de uma mesa de negociação sobre os pontos levantados pela investigação comercial. Entre as propostas estão a eliminação de tarifas sobre o etanol, a redução da carga tributária sobre empresas de cartão de crédito e negociações sobre comércio digital, propriedade intelectual, corrupção e desmatamento.
Segundo o documento enviado, a confirmação imediata das tarifas beneficiaria politicamente Lula, por isso o parlamentar defende que qualquer decisão seja tomada somente após o pleito eleitoral. Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro tem incorporado a defesa do Pix em seus discursos, em uma disputa de narrativa com o presidente Lula sobre a autoria e o mérito do sistema de pagamentos.
Reação de Lula e Críticas à Família Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao documento enviado por Flávio Bolsonaro, criticando a iniciativa nas redes sociais. “É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, escreveu o presidente. Lula afirmou que o Brasil continuará buscando diálogo “de igual para igual” com outros países e classificou o pedido de adiamento do tarifaço como “atitude de traidores da pátria”, reforçando que não há justificativa para a medida, nem agora, nem depois.
