Brasil tem mais mulheres que homens a partir dos 30 anos, aponta IBGE
Uma frase icônica dos anos 90, “no Brasil não há homem para mim”, dita por Xuxa Meneghel, ganha um novo contexto com dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua 2025 revela um cenário demográfico onde as mulheres começam a superar os homens em número a partir dos 30 anos de idade.
Essa disparidade, que se torna mais acentuada com o avanço da idade, indica uma mudança significativa na composição da população brasileira. Até os 24 anos, a proporção entre homens e mulheres é diferente, mas a partir dos 25, o equilíbrio se estabelece, dando lugar à maioria feminina logo em seguida.
O principal fator por trás dessa alteração na pirâmide etária, conforme aponta o IBGE, é a **maior mortalidade masculina**. A expectativa de vida das mulheres, que alcança 79,9 anos, é consideravelmente superior à dos homens, que é de 73,3 anos. Esse diferencial impacta diretamente a estrutura da população ao longo do tempo.
Fenômeno se intensifica em São Paulo e em faixas etárias avançadas
No estado de São Paulo, essa tendência se manifesta de forma ainda mais pronunciada. Entre a população com mais de 60 anos, por exemplo, o IBGE registra apenas 76 homens para cada 100 mulheres. Em contrapartida, na faixa etária de 18 a 19 anos, a situação se inverte, com 113 homens para cada 100 mulheres.
De modo geral, São Paulo também reflete a maioria feminina em sua população total, com cerca de 51,3% de mulheres contra 48,7% de homens. O estado, que apresentou crescimento populacional, passando de 43,2 milhões em 2012 para aproximadamente 46,1 milhões em 2025, reforça a tendência nacional.
Mudança silenciosa com profundos impactos sociais
Os dados do IBGE pintam um quadro de uma **mudança silenciosa, mas consistente**, na estrutura demográfica do Brasil. Essa alteração na composição por gênero, especialmente a partir dos 30 anos e com o envelhecimento da população, carrega consigo importantes reflexos sociais.
Esses impactos se estendem por diversas esferas, desde as dinâmicas familiares e as relações interpessoais até as projeções para o mercado de trabalho e o planejamento do envelhecimento da sociedade. A predominância feminina em faixas etárias mais avançadas é um dado a ser considerado em políticas públicas e análises sociais.
Expectativa de vida: um fator chave no desequilíbrio demográfico
A diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres é o cerne da questão. O IBGE destaca que a longevidade feminina contribui decisivamente para que elas se tornem maioria em idades mais avançadas. Esse padrão não é exclusivo do Brasil, mas se apresenta com características próprias no país.
O retrato demográfico apresentado pela PNAD Contínua 2025 é um convite à reflexão sobre como a sociedade se organiza e se adapta a essas transformações. Compreender essas nuances é fundamental para antecipar desafios e construir um futuro mais equitativo.