Irã enfrenta Nova Zelândia em Los Angeles sob um clima de incerteza política e esperança de paz
A seleção do Irã faz sua estreia na Copa do Mundo em Los Angeles contra a Nova Zelândia, em um momento peculiar. O país asiático se vê no centro de discussões geopolíticas complexas, com expectativas de um fim para um conflito em curso.
Enquanto a bola rola em campo, o cenário internacional adiciona uma camada extra de tensão à participação iraniana. A relação com os Estados Unidos, país sede, tem sido marcada por desafios diplomáticos e incidentes recentes.
Apesar das adversidades, a esperança de um acordo de paz entre americanos e iranianos paira no ar, segundo informações divulgadas pelo Paquistão. Este contexto global se reflete diretamente na experiência da equipe e de seus torcedores nos EUA.
Desafios diplomáticos e a chegada ao México
A delegação iraniana chegou aos Estados Unidos no domingo, 14, após uma série de complicações. Inicialmente prevista para Tucson, a equipe optou por se instalar em Tijuana, no México, devido à negação de vistos para cerca de 15 integrantes, incluindo o presidente da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), Mehdi Taj, que serviu na Guarda Revolucionária.
Os bombardeios recentes envolvendo EUA e Israel em fevereiro haviam colocado em dúvida a participação do Irã na Copa. Em março, houve pedidos para realocar os jogos para o México, prontamente negados pela Fifa, conforme noticiado pela fonte.
A presença do Irã no Mundial foi confirmada no final de abril pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino. Desde a chegada ao México no domingo, 7, a equipe tem recebido escolta da Guarda Nacional mexicana.
Tensões com torcedores e protestos previstos
A FFIRI acusou os EUA de revogarem ingressos destinados à torcida iraniana através da federação. A entidade classificou a ação como contrária ao espírito das competições internacionais e ao princípio de igualdade entre os países participantes.
O atacante Mehdi Taremi expressou sua percepção sobre a atmosfera: “Talvez seja apenas impressão minha, mas não estou sentindo isso agora”, disse em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport, ressaltando a importância de separar esporte e política.
O clima de protestos também se intensifica. Manifestações contra o regime iraniano são esperadas nos arredores do estádio SoFi, em Los Angeles, onde reside a maior comunidade de iranianos fora do Irã. Alguns iranianos-americanos já protestaram pedindo a exclusão do Irã da Copa.
Símbolos e a posição da FIFA
Símbolos contrários à República Islâmica, como a antiga bandeira do país, podem gerar atenção. O ministro de Esportes iraniano, Ahmad Donyamali, ameaçou interromper jogos caso flâmulas e cânticos críticos ao regime sejam identificados nos estádios.
A Fifa, por sua vez, proíbe qualquer bandeira “de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória”, conforme comunicado oficial da entidade.
O desempenho em campo e o confronto contra a Nova Zelândia
A campanha do Irã nesta Copa representa a sétima tentativa de ultrapassar a fase de grupos. O melhor desempenho ocorreu em 2018, na Rússia, quando somou 4 pontos. A equipe se classificou diretamente para o Mundial, liderando o Grupo A nas Eliminatórias da Ásia com 23 pontos em dez partidas.
Na estreia em Los Angeles, os iranianos são considerados favoritos. O Irã ocupa a 20ª posição no ranking da Fifa, enfrentando a Nova Zelândia, 85ª colocada e com o pior ranking entre as seleções participantes.
Os neozelandeses garantiram sua vaga pela terceira vez, 16 anos após sua última participação. O destaque da equipe é o atacante Chris Wood, do Nottingham Forest, da Inglaterra.
Bélgica e Egito abrem o grupo
No outro jogo do grupo, Bélgica e Egito se enfrentam. O Egito conta com Mohamed Salah, ídolo do Liverpool, em sua quarta participação em Copas. A Bélgica deposita suas esperanças em Jérémy Doku, ponta-esquerda do Manchester City.
A seleção belga busca repetir a campanha de 2018, quando eliminou o Brasil nas quartas de final e conquistou o terceiro lugar após vencer a Inglaterra.