Brasileiros nos EUA celebram a Seleção na Ponte do Brooklyn, mas repertório musical repete sucessos do passado.
No dia seguinte ao empate frustrante da Seleção Brasileira na estreia da Copa do Mundo, torcedores brasileiros mostraram mais uma vez sua força de mobilização nos Estados Unidos. Milhares de pessoas ocuparam a icônica Ponte do Brooklyn, em Nova York, um dos cartões postais mais famosos da cidade, em um ato de apoio à equipe nacional.
A caminhada, organizada pelo Movimento Verde Amarelo, cumpriu o objetivo de marcar presença de ponta a ponta na ponte. Apesar da grande adesão, o evento também evidenciou uma dificuldade recorrente do grupo: a dependência de poucas músicas, focadas em conquistas passadas e provocações a rivais, repetidas exaustivamente.
Essa mobilização em solo americano, conforme divulgado pela reportagem, ocorreu mesmo após o resultado de 1 a 1 contra Marrocos. A iniciativa buscou unir torcedores de diferentes clubes brasileiros, com apoio da CBF, para criar uma atmosfera mais vibrante nas arquibancadas, um objetivo que, por enquanto, parece distante.
Repertório nostálgico domina a Ponte do Brooklyn
A festa brasileira na Ponte do Brooklyn, como já havia sido observado no jogo de estreia, foi marcada por um repertório musical limitado. A música mais entoada celebra os **cinco títulos mundiais** do Brasil, com versos que relembram craques como Pelé, Mané Garrincha, Romário e Ronaldo Fenômeno. A letra exalta o país como o único pentacampeão.
Além das referências históricas, provocações a adversários também fizeram parte do setlist. Uma música que celebra os mil gols de Pelé menciona Maradona, e outra destaca Neymar em comparação com Cristiano Ronaldo e Messi. Curiosamente, Neymar é o único jogador do elenco atual a ter seu nome citado em uma das canções mais populares, indicando uma possível desconexão entre a torcida e os jogadores em campo.
Empolgação permanece apesar do empate na estreia
Apesar da limitação no repertório musical e do resultado inicial na Copa, a empolgação dos torcedores brasileiros em Nova York não diminuiu. Marina Martins, 34, cirurgiã plástica que participou do evento com sua amiga Ana Carvalho, 38, também cirurgiã, demonstrou confiança na equipe.
“Foi só o primeiro jogo”, afirmou Marina. “A gente confia na nossa seleção, e Marrocos era o mais difícil da nossa chave”, completou. As amigas chegaram ao local horas antes da concentração oficial, participando do aquecimento com samba e funk antes de entoar os hinos da Seleção.
Organização e impacto do evento em Nova York
A concentração oficial ocorreu em frente à Prefeitura de Nova York, no City Hall Park, ponto de partida para a travessia de 1,8 km da Ponte do Brooklyn. O evento, acompanhado de perto pela polícia local, utilizou a via destinada a pedestres. No entanto, o trânsito na região foi afetado, com motoristas reduzindo a velocidade para observar e acenar aos torcedores.
A ocupação do trajeto completo permitiu a dispersão dos grupos, e alguns torcedores se distraíram com a paisagem, aproveitando momentos de silêncio em meio à festa. Após a experiência na Ponte do Brooklyn, semelhante à ocorrida na Times Square, a torcida brasileira planeja novas ações na Filadélfia, próxima parada da Seleção, onde o Brasil enfrentará o Haiti.